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Criadoras de ‘Making a Murderer’, hit da Netflix, cogitam segunda temporada

Série documental que conta a história de um homem que ficou 18 anos preso por um crime que não cometeu se tornou um fenômeno do serviço de streaming

Maior hit da Netflix no último mês, a série documental Making a Murderer pode ter uma segunda temporada. Em entrevista a diversos sites e revistas americanas no último domingo, as criadoras do seriado, Laura Ricciardi e Moira Demos, afirmaram que continuam coletando material sobre o caso de Steven Avery, americano de Wisconsin que foi condenado injustamente em um caso de estupro em 1985 e que, apenas quatro anos após ser solto, em 2007, foi condenado novamente pela Justiça, desta vez acusado de homicídio.

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“Acho que faz quatro semanas que lançamos a série e durante esse período falamos com Steven Avery e gravamos essas conversas, pensando em incluí-las em novos episódios, caso haja novos episódios”, disse Laura à imprensa durante conferência organizada pela Television Critics Association, associação que reúne críticos de televisão dos Estados Unidos e Canadá. “Mas não voltamos a Wisconsin nessas quatro semanas.” Moira acrescentou: “A história continua, os casos estão abertos. Se houver alguma ocorrência importante, estaremos lá.”

Procurado pelo site da revista The Hollywood Reporter, o diretor de conteúdo da Netflix, Ted Sarandos, afirmou que o serviço de streaming ainda não discute uma segunda temporada da série. “Não há ideia para uma segunda temporada, nem proposta, não estamos falando sobre uma segunda temporada”, disse ele. “Honestamente, tem sido um furacão desde o lançamento de uma forma que as criadoras não esperavam e que a gente não esperava. Nós temos falado muito com a imprensa (sobre o seriado), mais do que temos falado uns com os outros.” Ele, porém, não rechaçou completamente a ideia de haver novos episódios, mas afirmou que tudo ainda deve ser discutido pela Netflix.

O caso de Steven Avery – A série, lançada pelo serviço em 18 de dezembro, mostra como Steven Avery foi acusado e depois condenado por um estupro que não cometeu. Ele passou 18 anos na cadeia até ser solto em 2003, quando um teste de DNA indicou que outro homem havia cometido o crime. Avery abriu processo civil contra o departamento de polícia e a promotoria do condado de Manitowoc, pedindo indenização de 36 milhões de dólares pela condenação indevida. Quatro anos depois, no entanto, ele foi condenado a prisão perpétua pelo assassinato da fotógrafa Teresa Halbach. O seriado aborda esse novo caso e mostra como as circunstâncias em que ele foi preso abriram margem para a dúvida e para a possibilidade de ele ter sido condenado injustamente, de novo.

Um sobrinho de Avery, Brendan Dassey, também foi preso, após ter sido interrogado pela polícia e ter confessado que havia ajudado o tio a matar Teresa. A série mostra que o garoto de 16 anos foi interrogado sozinho, sem a presença de um advogado ou mesmo de sua mãe, e que não entendia exatamente o que estava acontecendo. Após sua condenação, seus advogados entraram com recurso pedindo um novo julgamento para Dassey, alegando que seus direitos constitucionais foram feridos por falta de assistência jurídica eficiente e que ele foi induzido a confessar um crime que não cometeu.

Neste mês, Avery entrou com recurso para pedir anulação de seu julgamento, alegando que o mandado de busca usado pela polícia para encontrar em sua casa as evidências que o incriminaram era inválido e que o júri que o condenou foi pressionado por um dos jurados para tomar essa decisão. Dois dias após o lançamento de Making a Murderer, uma petição online foi criada pedindo que o presidente americano, Barack Obama, perdoasse Avery e Dassey. Em 7 de janeiro, a Casa Branca respondeu à petição, afirmando que o presidente não pode perdoá-los, já que eles foram condenados pelo Estado de Wisconsin. “Um perdão, neste caso, teria que ser expedido pelo Estado, pelas devidas autoridades”, dizia o texto.

(Da redação)