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Competição começa fraca no Festival de Veneza

Italiano 'Via Castellana Bandiera', da diretora teatral estreante em filmes Emma Dante, e 'Tracks', do americano radicado na Austrália John Curran, não animam

Por Mariane Morisawa, de Veneza - 29 ago 2013, 13h50

O 70º Festival de Veneza deu a largada nesta quinta-feira na competição pelo Leão de Ouro. O italiano Via Castellana Bandiera, primeiro filme da dramaturga e diretora de teatro Emma Dante, foi exibido pela manhã em sessão de imprensa e arrancou alguns aplausos da plateia. Mas ficou com cheiro de patriotada. O filme não esconde as origens teatrais de sua diretora, que não disfarça a sua inexperiência com a câmera.

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O impasse acaba atraindo a atenção da vizinhança, que começa a se intrometer. Há um claro ensaio, no filme, para fazer daquela rua um microcosmo que representa toda aquela sociedade, mas faltam à diretora ferramentas cinematográficas para dar conta de um projeto dessa envergadura. Com pouco mais de meia-hora, Via Castellana Bandiera se vê num beco sem saída. A cena não decola, nem na tentativa de fazer do duelo de mulheres uma espécie de western, com o clássico plano das mãos como que prestes a sacar um revólver.

Na sequência, foi exibido Tracks, do americano radicado na Austrália John Curran, que mostrou um pouquinho mais de aptidão para o cinema – mas também passou longe de empolgar. O longa-metragem é baseado na história real de Robyn Davidson (interpretada por Mia Wasikowska, de Alice), uma jovem que atravessou 2.700 quilômetros do deserto australiano na companhia de um cachorro e de quatro camelos, em 1975. Ela levou nove meses para fazer a viagem, acompanhada em alguns pontos pelo fotógrafo Rick Smolan (Girls) para a revista National Geographic. Pouco à vontade no meio de muita gente, Robyn interpretava as visitas de Rick – organizadas em troca do financiamento da jornada – como intromissões. No fim, o extrovertido fotógrafo aprende a conviver com Robyn e a respeitar seu espaço.

Como o desfecho da história é conhecido (ou previsível), Tracks precisaria ter muita força na jornada para realmente ser uma peça interessante. Mas falta-lhe dramaticidade, apesar do bom trabalho de Mia Wasikowska, uma das melhores atrizes de sua geração, e de Adam Driver.

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