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Clooney dirige e atua em drama sobre bastidor político

Por Felipe Branco Cruz

São Paulo – “Tudo Pelo Poder” é dirigido e estrelado por Clooney e tem no elenco os ganhadores do Oscar Phillip Seymour Hoffman e Marisa Tomei, além de Ryan Gosling e Paul Giamatti – o próprio Clooney tem um, por “Syriana” (2005). Evan Rachel Wood, que tem um Globo de Ouro por “Aos Treze” (2003), também está no elenco. Para o Globo de Ouro de 2012, recebeu três indicações: filme e ator de drama (Gosling) e diretor (Clooney).

“Tudo Pelo Poder” conta a história de Mike Morris (Clooney), um político americano em disputa pelas primárias para a escolha do candidato dos democratas à presidência dos Estados Unidos. Até lá, terá de lidar com traições e conspirações pelo páreo. As traições, aliás, fazem jus ao título original do filme: “Ides of March”. Na tradução literal, “Idos de Março” faz alusão ao assassinato do imperador romano Julio Cesar por um grupo de senadores liderados por seu filho adotivo Brutus, naquele mês.

Este não é o primeiro trabalho de direção de Clooney, que fez “Confissões de Uma Mente Perigosa” (2002) e “Boa Noite e Boa Sorte” (2005). No longa, Mike Morris é candidato pelo partido democrata (o de Barack Obama). Mas, definitivamente, o filme não fala de campanha política. Aliás, o candidato acaba sendo quase figura secundária. A história trata mesmo de bastidores, a partir de dois profissionais: Stephen Myers (Gosling), o jovem e ambicioso assessor, e Paul Zara (Seymour Hoffman), raposa velha da política.

Clooney é abertamente democrata e apoiou Obama. Não é de hoje, aliás, que ele é questionado sobre suas ambições políticas; vale dizer que não se trata, porém, de um filme chapa branca, já que exibe também o lado podre do partido de Morris.

Sua campanha ameaça ir para o buraco quando a estagiária Molly Stearns (Evan Rachel Wood) diz que está grávida dele – o envolvimento com a estagiária, claro, faz menção direta ao caso extraconjugal do então presidente americano Bill Clinton com Monica Lewinsky. Em seu encalço, está a inescrupulosa jornalista Ida Horowicz (Marisa Tomei). A discussão do filme passa a ser o quanto custa abafar ou vazar um fato que pode mudar a trajetória de uma eleição e de uma nação. O filme pode entrar para o rol de thrillers políticos como “O Candidato” (1972), “Todos os Homens do Presidente” (1976) e “Intrigas de Estado” (2009).