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Claudio Assis diz que para fazer cinema pessoal se paga um ‘preço alto’

Fortaleza, 8 jun (EFE).- O cineasta Claudio Assis, que disse ser incapaz de ‘enganar’ no cinema, assegurou nesta sexta-feira que não acredita nos filmes feitos para receber prêmios e que para fazer filmes pessoais se paga um ‘preço alto’.

Assis, diretor de filmes que interpelam o espectador e transitam em espaços incômodos da realidade, assegurou que trabalha em volta de suas próprias ideias e acrescentou que, quando mostra cenas fortes e violentas, é porque fazem parte da vida e não com o objetivo de transgredir.

‘Não coloco nudez para impactar, para ser transgressor, a vida tem nudez’, disse Assis durante entrevista coletiva em Fortaleza, onde participa do festival Cine Ceará com o filme ‘Febre do Rato’.

O diretor explicou que para seu primeiro filme, ‘Amarelo Manga’, passou sete anos ‘batendo nas portas’ e acrescentou que o tipo de cinema que faz tem um custo elevado.

‘Fazer o que nós fazemos tem um preço. Pagamos um preço alto por fazermos o que queremos’, precisou.

Assis acrescentou que ‘só acredita na atitude’ de um filme e expressou seu ‘ódio’ em relação às produções que têm como objetivo somar prêmios e agradar.

O cineasta adiantou que seu próximo projeto cinematográfico tem uma temática ‘forte’ e terá violência porque ‘a vida é assim’. ‘Eu não sei enganar’, disse.

Um dos atores de ‘Febre do Rato’, Matheus Nachtergaele, assegurou que ‘dentro de um cinema marginal’ eles conseguiram ‘um projeto vitorioso’.

O título do filme é uma expressão popular de Pernambuco, terra de Assis, que reflete um estado de vida descontrolado e é também o nome do tabloide publicado por Zizo, o poeta anarquista que protagoniza o filme, interpretado por Irandhir Santos.

Rodada em preto e branco em 35 milímetros, a história se constrói ao redor de uma bela e cuidadíssima imagem vestida de poesia no universo libertário e marginal de seus personagens. EFE