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Cientologia aposta em famosos para ‘vender’ a seita

Seita é especializada em arrebanhar membros ilustres nos Estados Unidos desde 1955, quando o escritor L. Ron Hubbard criou o Projeto Celebridade para chamar a atenção do público para a religião que fundou

Cooptar celebridades para seu séquito de seguidores é a principal estratégia adotada pela cientologia para apagar escândalos e atrair fieis. Essa é a tese defendida pela jornalista americana Janet Reitman no livro Inside Scientology (Por dentro da Cientologia, em tradução direta), lançado nos Estados Unidos no ano passado. Na obra, Janet conta que a Igreja mantém há 57 anos o chamado Projeto Celebridade, destinado a seduzir e converter estrelas do cinema, música e esportes.

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Em 1955, quando criou o projeto, o fundador da cientologia, L. Ron Hubbard, fez uma lista de famosos que gostaria de ter entre os seus seguidores — ou como garotos-propaganda da sua Igreja. Entre eles, estavam o escritor Ernest Hemingway, as atrizes Marlene Dietrich e Greta Garbo, o pintor Pablo Picasso e o ator Jackie Gleason. “Se um cientologista conseguisse atrair qualquer uma dessas personalidades, seria recompensado pelo próprio Hubbard com uma pequena placa”, conta a jornalista em seu livro.

Como a investida de Hubbard sobre os famosos foi nada mais do que um tiro n’água, em 1970 o criador da seita que hoje reúne nomes como Tom Cruise e Will Smith investiu na construção do Celebrity Center, em Los Angeles, um templo destinado a visitantes ilustres. O alvo, segundo Janet, eram atores inseguros e em início de carreira ou astros interessados em renovar sua imagem.

Elvis Presley chegou a visitar o local acompanhado da namorada, a atriz Peggy Lipton, entusiasta da seita. A visita foi narrada à jornalista por Lamar Finke, assistente de Elvis morto em 2011. “D…essas pessoas. Não vou me envolver com essa religião de jeito nenhum. Eles estão atrás do meu dinheiro”, teria dito Elvis a Finke logo após a passagem pelo Celebrity Center.

O cantor fugiu correndo, mas a cientologia conseguiria conquistar adeptos ilustres mais tarde. Nos anos 1970, costumavam frequentar a sede da Igerja em Los Angeles o ator Rock Hudson, o músico Van Morrison e o cineasta Oliver Stone, então em início de carreira. Mas a maior conquista da cientologia nos anos 70 foi mesmo o jovem John Travolta. Janet Reitman conta que o ator tinha 21 anos e havia acabado de se mudar para Los Angeles quando aderiu ao culto. “Ele era o alvo perfeito: sensível, ingênuo e com tendência à depressão”, escreveu.

O menino dos olhos da cientologia, no entanto, só chegaria no fim da década de 1990. Tom Cruise aderiu à seita em 1990, por influência da primeira mulher, a atriz Mimi Rodgers, que é filha de Phil Spickler, um dos mais altos membros da religião na época. O presidente da seita, David Miscavige, teria detectado feridas emocionais sob a aparente autoconfiança do ator. As feridas, provocadas pelo pai alcoólatra durante a infância, foram a chave para desmontar qualquer resistência que Cruise pudesse ter. Além disso, a seita ofereceu ao ator a cura para a dislexia que o atrapalhava na leitura dos roteiros dos filmes.

A dedicação de Miscavige em bajular Cruise deu resultado. Em 2004, o ator passou a exigir que os jornalistas visitassem o Celebrity Center em Los Angeles antes de dar entrevistas. “Se as pessoas não gostam da cientologia, bem, que se d…, ponto final”, disse em entrevista à revista americana Rolling Stone, em 2004.

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