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‘Chaves’ é homenageado com missa na sede da Televisa

Roberto Gómez Bolaños será velado neste domingo no Estádio Azteca

Por Da Redação - 30 nov 2014, 11h35

Roberto Gómez Bolaños, famoso por ter criado e interpretado as personagens Chaves e Chapolin, foi homenageado na Cidade do México com uma missa que teve a presença de familiares e personalidades do meio artístico na sede da Televisa, a emissora mexicana que transmitiu os programas do ator. O corpo de Bolaños, morto na última sexta-feira de uma parada cardíaca, será velado neste domingo no Estádio Azteca, local que tem capacidade para mais de 100.000 pessoas.

O caixão com o corpo de Bolaños saiu de Cancún, onde vivia o comediante com a sua mulher, Florinda Meza, intérprete da personagem Dona Florinda em Chaves. Momentos antes de abordar um dos veículos que levaram toda a família rumo ao aeroporto de Cancún, Florinda agradeceu o carinho recebido: “Obrigada por todo o apoio que deram a meu Roberto”. A família publicou no Twitter uma mensagem de agradecimento “por tanto amor” dos admiradores do comediante. “Esperamos vocês amanhã no Estádio Azteca a partir das 12 horas (horário local, 16 horas no horário de Brasília) para se despedir”, diz a mensagem.

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Popularidade – O ator estava aposentado havia dez anos, mas isso não impediu que se adaptasse aos meios de comunicação mais modernos e se tornasse um fã das redes sociais, tornando-se o mexicano com mais seguidores no Twitter – mais de 6,6 milhões. Após sua morte, a televisão mexicana emitiu mensagens de luto com um “Obrigado para sempre, Chespirito (seu apelido no México)”, como despedida a um artista que engrandeceu sua história com os personagens da vila do Chaves e as aventuras do heroico Chapolin Colorado.

O menino pobre do barril, que usava boné com tapa orelhas, foi lembrado por muitas personalidades mexicanas, desde o presidente do país, Enrique Peña Nieto, até seus companheiros de viagem na vila, Édgar Vivar (Senhor Barriga), María Antonieta de las Nieves (Chiquinha) e Rubén Aguirre (Professor Girafales). “Roberto, você não sei foi, permanece em meu coração e nos corações de todos aqueles a quem você levou alegria. Adeus Chavinho, até sempre”, disse Vivar.

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‘Que Bonita Sua Roupa’

Quem é fã do seriado sabe pelo menos cantar o refrão de Que Bonita sua Roupa, número musical exibido no episódio Uma Aula de Canto de Chaves, que é dedicado especialmente ao garoto maltrapilho que mora em um barril. “Que bonita a sua roupa / Que roupinha mucho louca / Nela é tudo remendado / Não vale nenhum centavo / Mas agrada a quem olhar”, diz a canção. 

O cão arrependido

Uma das cenas clássicas do seriado é o poema recitado por Chaves no chamado Festival da Boa Vizinhança, realizado na Vila, que deixaria Drummond e Camões com inveja. “Volta o cão arrependido / Com suas orelhas tão fartas / Com seu osso roído / E com o rabo entre as patas”, diz o personagem duas vezes. Ao ser interrompido por Seu Madruga, ele conta que os versos são repetidos outras 44 vezes.

O filme do Pelé

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“Teria sido melhor ir ver o Pelé”, diz Chaves no episódio Vamos ao Cinema. O garoto acompanha os outros personagens da Vila ao cinema para assistir a um filme sugerido por eles, mas não fica nem um pouco satisfeito com a escolha e repete inúmeras vezes a frase, irritando todos ao redor. O que poucos sabem é que na versão original, do México, Chaves diz: “Teria sido melhor ir ver o filme do Chanfle”, referindo-se ao protagonista de dois filmes dirigidos por Bolaños. Mas o bordão adaptado pegou entre os brasileiros.

Já chegou o disco voador

Em outro episódio, Seu Madruga combina com Chaves para que o garoto o avise caso Seu Barriga apareça na Vila para cobrar seu aluguel atrasado, dizendo o código enigmático “Já chegou o disco voador”. O problema é que, ao mesmo tempo, Quico está à procura de seu disco voador de brinquedo e grita para a mãe, ”Já se foi o disco voador”, o que causa um nó na cabeça de Seu Madruga, que não sabe se se esconde ou se retoma a sua rotina dentro de casa.

Vendedor de churros

Entre os empregos que Chaves arrumou para conseguir alguns trocados, ou apenas um sanduíche de presunto, estava o de ajudante de vendedor de churros na banca armada por Seu Madruga. Como truque de marketing, ele entoa com uma voz aguda:  “Aqui estão os churros, olha os churros”. Mas a estratégia não funciona e ele acaba vendendo para si mesmo, imitando alguns personagens da Vila.

​Chespirito – Bolaños nasceu em 21 de fevereiro de 1929 na Cidade do México. Era filho de Elsa Bolaños-Cacho, secretária, e Francisco Gómez, pintor, desenhista e cartunista em jornais. Ele estudou engenharia, mas nunca seguiu a carreira. Começou a trabalhar em uma agência de publicidade aos 22 anos e, algum tempo depois, tornou-se roteirista, escrevendo para programas de rádio e televisão, além de filmes para o cinema.

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O apelido Chespirito, um diminutivo adaptado para o espanhol do sobrenome do dramaturgo inglês William Shakespeare, foi dado pelo diretor de cinema Agustín Delgado por sua inesgotável imaginação e sua baixa estatura, de pouco mais de 1,60 metros.

Em 1968, conseguiu seu primeiro espaço próprio na TV, de meia hora aos sábados à tarde, onde nasceram suas primeiras séries: Los Supergenios de la Mesa Cuadrada e El Ciudadano Gómez. Para o ano de 1970, seu espaço se duplicou com a série Chespirito, de esquetes de humor. Foi ali que nasceram personagens como Chapolin Colorado e Chaves. Tanto o personagem do super-herói como o do menino peralta tiveram tanto sucesso que passaram a protagonizar suas próprias séries. Em 1973, os dois programas já eram exibidos em quase toda a América Latina.

Entre os personagens que criou se destacam o Seu Madruga, a Bruxa do 71, a Chiquinha, Quico, Jaiminho, o Professor Jirafales. No Brasil, Chaves está no ar há três décadas no SBT.

(Com agência EFE)

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