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Chanel se renova com o mesmo Karl Lagerfeld

A grife Chanel surpreendeu nesta terça-feira na passarela da Semana de Moda de Paris pela grande criatividade de Karl Lagerfeld, que, nos 30 anos de serviço prestado à marca, a situou entre as mais prestigiadas do mundo. A coleção prêt-à-porter primavera-verão 2013 da casa, fundada por Coco Chanel em 1910, mostrou que o ‘kaiser’ é o costureiro que melhor renova a maison.

O desfile, uma maratona de 80 criações, foi dominado desde o princípio por tons neutros, branco, azul e rosa, que logo deram lugar a cores vibrantes e estampas geométricas. “Tudo gira ao redor do volume e da leveza, coisas que normalmente não andam juntas”, disse Lagerfeld, que trabalhou com algodões finos para conseguir o toque leve que buscava. Muitas das 68 modelos carregavam colares e pulseiras com grandes pérolas, também usadas para adornar os vestidos.

Para o dia, o estilista fez vestidos curtos acompanhados de jaquetas ou amplos tomara-que-caia, bordados com flores. Já para a noite, os vestidos eram quase transparentes, alguns com bordados que pareciam plumas multicoloridas. Um vestido do tipo tubo retomou o tema do painel solar, em azul prateado, iridiscedente. O desfile da Chanel também chamou a atenção pela majestosa encenação. Sob a famosa cúpula do Grand Palais de Paris, o luminoso salão homenageava as energias renováveis: pás de moinhos de vento giravam sobre a passarela, que simulava a superfície de painéis solares.

Os jornalistas de moda viram esse tema da energia renovável como uma alusão à capacidade do estilista, nascido em 1938, de se reinventar, no momento em que outras grandes maisons de luxo francesas, como Dior e Saint Laurent, estrearam diretores artísticos de 44 anos. Em uma Semana de Moda de Paris que aguardava ansiosamente para saber o rumo que casas históricas como Dior e Saint Laurent seguiriam com novos diretores artísticos, a Chanel confirma que só precisa de Karl Lagerfeld para iniciar, a cada temporada, uma nova era.

Brasil na moda — O estilista francês Jean Charles de Castelbajac prestou homenagem a Oscar Niemeyer, em um desfile lúdico feito nesta terça-feira em uma igreja. Castelbajac, um dos mais criativos da moda francesa e determinado a “fazer roupas de vestir que possam ser usadas”, usou seu humor e espírito inventivo em uma coleção bem cuidada que misturou materiais, como crepes de seda, couro e plástico de cores contrastantes.

Sua coleção para a primavera-verão foi dominada pelo verde, intenso e luminoso, das folhas e árvores do Amazonas, evocado na cenografia do desfile, em vestidos, túnicas e saias curtas, em calças e sapatos, além das jaquetas abaloadas, uma das marcas do estilista.

Os verdes vieram contrastados com pretos e brancos, declinando para os tons de ouro vibrante em tecidos estampados com grandes palmeiras e desenhos geométricos, evocando as construções de Niemeyer. Em um dos looks deu um toque de Courrèges, o estilista dos looks futuristas, usando plástico e prata; em outros o azul marinho era o personagem principal.

(Com agências EFE e France-Presse)