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Cate Blanchett brilha em ‘Truth’

Filme de James Vanderbilt tem como tema a investigação sobre o histórico militar do então presidente George W. Bush, que levou à demissão da experiente repórter Mary Mapes e o posterior desligamento do âncora Dan Rather

Por Mariane Morisawa, de Toronto - 19 set 2015, 23h09

Truth, de James Vanderbilt, exibido no 40º Festival de Toronto, juntou-se a Spotlight, de Tom McCarthy, entre os prováveis candidatos ao Oscar. Ambos centram-se em investigações jornalísticas que expuseram pessoas poderosas e são um sinal de alerta para as transformações vividas pela imprensa nos últimos anos. Spotlight exibe a jornada de uma equipe de repórteres do jornal The Boston Globe para revelar o abuso sexual de menores por padres na cidade. Em Truth, o tema é o trabalho da equipe liderada por Mary Mapes (Cate Blanchett) sobre o histórico militar do então presidente George W. Bush, para o programa 60 Minutes, da CBS, apresentado pelo prestigiado Dan Rather (vivido no filme por Robert Redford).

Em 2004, Mary Mapes montou um time formado por Lucy Scott (Elisabeth Moss), Mike Smith (Topher Grace) e o Coronel Roger Charles (Dennis Quaid) para ir atrás da história. A carreira militar de George W. Bush já tinha sido um assunto antes das eleições de 2000. Ele nunca lutou na Guerra do Vietnã (1955-1975) porque foi para a Guarda Nacional. No final de agosto de 2004, pouco mais de dois meses antes das eleições que resultariam em nova vitória de Bush, Mapes recebeu do tenente-coronel Bill Burkett documentos que demonstrariam o descontentamento do comandante do futuro presidente, o tenente-coronel Jerry B. Killian, com sua passagem pela Guarda Nacional. Bush não teria nem completado os treinamentos.

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Fora isso, havia a denúncia de que ele teria usado a influência de sua família para escapar do Vietnã, indo para a Guarda Nacional do Texas em 1968. O programa com as informações foi ao ar no dia 8 de setembro, menos de dois meses antes da eleição. Pouco depois, começaram a surgir dúvidas sobre a autenticidade dos supostos memorandos escritos por Killian. Após uma investigação interna, o canal decidiu demitir Mapes e pedir o desligamento dos outros membros da equipe. Dan Rather, âncora do principal telejornal da CBS desde 1981, deixou a posição em março de 2005. Em junho do ano seguinte, seu contrato não foi renovado.

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Truth, que marca a estreia do roteirista James Vanderbilt (Zodíaco, O Espetacular Homem-Aranha 1 e 2) como diretor, é bastante claro. Apesar de baseado nas memórias de Mary Mapes, toma o cuidado de não fazer dela uma vítima. Mas deixa no ar a ideia de que, mesmo se os documentos forem falsos, havia pistas suficientes de que a ida e a passagem de George W. Bush pela Guarda Nacional foram, no mínimo, suspeitas. Houve falhas na investigação, motivadas por diversos fatores, inclusive o tempo de apuração. Sem dúvida, porém, o caso expõe como é lutar contra todas as pressões quando há um personagem tão poderoso envolvido.

Cate Blanchett, para variar, está excelente como Mary Mapes. É um papel digno de uma indicação ao Oscar. Mas seu caminho em direção a uma nova estatueta (ela ganhou como coadjuvante em 2005, por O Aviador, e na categoria principal em 2014, por Blue Jasmine) pode ser atrapalhado por uma candidata forte: Cate Blanchett, por Carol, de Todd Haynes, exibido no Festival de Cannes. A questão agora é qual das duas vai ganhar.

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