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Carol Marra: “Não foi fácil aceitar que eu nasci no corpo errado”

A transexual mineira, que já desfilou para o estilista Ronaldo Fraga, diz por que não quer ser comparada a Lea T

Você se inspirou em Lea T?

Nada disso. Nem quero que você toque no nome dela na entrevista, o.k.? As pessoas falam da Lea como se não existisse a Roberta Close, que de fato foi a primeira modelo transexual.

Então, a Roberta foi sua inspiração?

Não é isso. Só estou dando o crédito a quem de direito. Minha carreira tem outra origem. Sou jornalista e trabalhava como produtora de moda. Os fotógrafos me viam e diziam que eu deveria trabalhar como modelo. Foi assim que tudo começou.

Por que você demorou tanto para se decidir?

Não levava esses conselhos a sério, sempre fui tímida. Também tinha o fato de que eu precisei de muito tempo para me aceitar como transexual. Não foi fácil aceitar que eu nasci no corpo errado.

Sua família apoia sua carreira?

Claro que foi difícil para os meus pais, no início. Eles sofreram bastante enquanto eu ainda estava me descobrindo. Mas eles até já viram alguns de meus desfiles e se emocionaram muito.

Qual a situação mais difícil que você já enfrentou por causa de sua condição?

Geralmente, sou confundida com mulher e, em baladas, muitos caras mudam de comportamento quando digo que sou transexual. Alguns são agressivos, outros simplesmente viram as costas e vão embora. Sigo em frente. Tenho a obrigação de combater a intolerância.