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Cantor Wando morre aos 66 anos em Nova Lima, Minas Gerais

Ele estava internado desde o último dia 27 no centro de tratamento intensivo de hospital após ser submetido a uma angioplastia coronária

O cantor Wando morreu nesta quarta-feira, aos 66 anos de idade, em Nova Lima (MG), região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo o hospital Biocor, onde ele estava internado desde o último dia 27, o cantor piorou no início da manhã e morreu na presença da mulher, Renata Costa Lana e Souza. Ele foi internado com problemas no coração e teve de passar por uma angioplastia coronária, procedimento médico usado para desobstruir uma artéria. Ele também passou por uma traqueostomia. A família afirma que ele tinha predisposição genética para doenças no coração.

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O velório do músico será realizado nesta quarta-feira, a partir das 17h, no Cemitério Bosque da Esperança, em Belo Horizonte. O enterro está previsto para amanhã, às 11h, no mesmo local.

Ícone da cultura popular e da música brega brasileiras, Wando vendeu mais de 10 milhões de discos desde o início da carreira, em 1969. Entre seus maiores sucessos, está a música Fogo e Paixão. Igualmente conhecida é sua fama de colecionador de calcinhas. A “mania” teve início em 1990, após o lançamento do disco Tenda dos Prazeres, que tinha a imagem de uma calcinha na capa. “Quando você vê uma calcinha ao contrário, ela parece uma tenda”, foi a explicação de Wando para a arte. Apesar de ganhar muitas peças íntimas das fãs nos shows, ele mesmo passou a distribuir algumas.

Wando pretendia contar histórias ligadas às calcinhas que recebeu de fãs em seu site oficial, mas o projeto nunca foi para a frente. “Eu tenho uma coleção enorme de calcinhas, de todas as formas, jeitos, cores e tamanhos. De pequenininha até muito grande. Eu quero mostrá-las para vocês terem ideia de até onde vai a coragem feminina”, escreveu no site.

Durante sua carreira, Wando lançou 28 discos – todos eles podem ser ouvidos no site oficial do músico. O seu trabalho mais recente é Wando – Romântico Brasileiro, sem Vergonha, de 2005.

Biografia – Nascido Wanderley Alves dos Reis na pequena cidade de Cajuri, no interior de Minas Gerais, Wando passou a infância em Juiz de Fora. Já adolescente, se mudou para Volta Redonda (Rio de Janeiro), onde foi vendedor de jornal, entregador de leite, feirante e motorista de caminhão. Lá, começou a estudar violão clássico, mas percebeu que procurava algo diferente. “Não era legal para o que eu queria: eu queria tocar para as moças. Mas as moças ficavam um pouco entediadas com o violão clássico.”

A carreira só engatou quando Wando se mudou para a cidade mineira de Congonhas do Campo, onde morou por cinco anos em uma república de estudantes. Ali, participou do grupo musical Escaravelhos até ser descoberto pelo cantor Nilo Amaro, da banda Cantores de Ébano. Já em contato com gravadoras, foi morar na cidade do Rio para tentar a sorte como compositor, sem muito sucesso, seguindo para São Paulo.

Na capital paulista, conheceu um crítico musical que, entusiasmado com o cantor novato, lhe apresentou a Jair Rodrigues. No encontro, Wando cantou a música O Importante É Ser Fevereiro, e Jair gostou tanto que a gravou no mesmo dia. Menos de um mês depois, a música fez muito sucesso. Ela passaria a integrar também o primeiro disco de Wando, Glória a Deus no Céu e Samba na Terra, de 1973.

A partir daí, o músico começou a se apresentar em casas noturnas, onde descobriu que as mulheres gostavam de vê-lo cantando músicas românticas. Em 1975, lançou a música Moça em um compacto simples que vendeu 1,2 milhão de discos. Os trabalhos seguintes, como o disco Porta do Sol (1976), venderam menos. “Foi assim que descobri que não basta fazer sucesso, tem de fazer carreira”, diz Wando em texto de seu site oficial.

Algum tempo depois, o cantor voltou ao Rio, onde fincou raízes. Era lá que morava com a mulher, Renata Costa Lana e Souza. O casal se dividia entre a residência carioca e outra em Belo Horizonte, cidade-natal dela.