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Cannes 2016: uma competição dominada pelas mulheres

Elle, Toni Erdmann e Paterson são favoritos na cerimônia de premiação na noite do domingo

No papel, a seleção do 69º Festival de Cannes era uma das melhores dos últimos anos. Na prática, não chegou a tanto. Houve vários bons filmes, mas poucos excepcionais, algumas decepções e uma das piores coisas já exibidas no festival: The Last Face, cortesia de Sean Penn.

Pode-se dizer que foi uma competição bastante feminina. As três diretoras têm mulheres como personagens principais em seus filmes: a inglesa Andrea Arnold mostra a jornada de crescimento de Star (Sasha Lane) em American Honey, a alemã Maren Ade fala do complicado relacionamento entre Ines (Sandra Hüller) e seu pai em Toni Erdmann, e a francesa Nicole Garcia conta a busca de Gabrielle (Marion Cotillard) pelo amor em Mal de Pierres.

Mas muitos homens apostaram em mulheres como protagonistas, a começar pelo brasileiro Kleber Mendonça Filho em Aquarius, que escalou Sonia Braga como a crítica musical aposentada Clara. O holandês Paul Verhoeven (em Elle), o espanhol Pedro Almodóvar (Julieta), os belgas Luc e Jean-Pierre Dardenne (La Fille Inconnue), o filipino Brillante Mendoza (Ma’Rosa), o sul-coreano Park Chan-wook (The Handmaiden), o francês Olivier Assayas (Personal Shopper) e o dinamarquês Nicolas Winding Refn (The Neon Demon) também preferiram mergulhar nas vidas de personagens femininas. Tanto que a corrida pelo prêmio de melhor atriz está bem mais disputada do que a dos atores, com Sandra Hüller, Sonia Braga e Isabelle Huppert (Elle) como favoritas.

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Em outras seis produções o protagonismo é dividido entre homens e mulheres: no iraniano Forushande, de Asghar Farhadi, no inglês I, Daniel Blake, de Ken Loach, no canadense Juste la Fin du Monde, de Xavier Dolan, no americano Loving, de Jeff Nichols, no francês Ma Loute, de Bruno Dumont, e no americano The Last Face. Os únicos realmente liderados por homens são o romeno Bacalaureat, de Cristian Mungiu, o americano Paterson, de Jim Jarmusch, o francês Rester Vertical, de Alain Guiraudie, e o romeno Sieranevada, de Cristi Puiu. Os atores com mais chance de levar são o americano Joel Edgerton (Loving), o austríaco Peter Simonischek (Toni Erdmann), o romeno Adrian Titieni (Bacalaureat) e o americano Adam Driver (Paterson).

Os troféus secundários acabam dependendo das outras categorias. Cannes tem como norma que não sejam dados dois prêmios ao mesmo filme. A exceção pode ser um de atuação em conjunto com o de roteiro ou prêmio do júri, mas deve ser autorizado pelo presidente do festival. É difícil imaginar como o júri presidido por George Miller vai resolver o quebra-cabeças, mas é difícil imaginar que deixe de fora da lista Elle, de Paul Verhoeven, Paterson, de Jim Jarmusch, e Toni Erdmann, de Maren Ade. A cerimônia de premiação acontece na noite do domingo.