Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Biógrafo de Roberto Carlos descarta processar Chico Buarque

Em participação no programa 'Saia Justa', Paulo César de Araújo defende a publicação de biografias não autorizadas e diz que processar é grosseria

Paulo César de Araújo, biógrafo de Roberto Carlos, descartou processar o compositor Chico Buarque por mentir em artigo publicado no jornal O Globo na semana passada. O músico escreveu que não foi entrevistado pelo escritor para o livro Roberto Carlos em Detalhes, tirado de circulação em 2007. Chico foi contestado com provas por Araújo no dia seguinte à publicação do texto.

Nesta quarta-feira, durante participação no programa Saia Justa, do canal pago GNT, o escritor afirmou que não tem intenção de levar a história adiante. “Acho isso de processar uma coisa grosseira”, disse o escritor.

eia também:

‘Ninguém é dono da verdade’, diz Ivan Lins sobre biografias

Na televisão, Paula Lavigne se diz vítima de ‘bullying’

Para editor de Chico Buarque, Procure Saber elegeu ‘vilão errado’

No programa, Araújo defendeu a liberação da publicação de biografias não autorizadas e se posicionou contra a remuneração dos biografados. “Isso é imoral. Roberto Carlos foi meu tema. Jesus Cristo foi tema de uma música de Roberto Carlos, mas Roberto Carlos é o autor. Isso é trabalho meu, construção minha”, falou. Ele lembrou que chegou a oferecer todos os direitos autorais ao cantor durante a ação movida por ele contra a biografia, mas que Roberto recusou a oferta, insistindo na proibição.

Na semana passada, a empresária Paula Lavigne foi a convidade do programa. Presidente do grupo Procure Saber, que reúne artistas como Roberto Carlos, Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil contra a publicação de biografias com base no direito à privacidade, Paula afirmou ser vítima de “bullying” e fugiu de perguntas diretas sobre a posição oficial do grupo.

Com Araújo, o programa foi mais calmo e o elenco fixo, formado por Astrid Fontenelle, Maria Ribeiro, Barbara Gancia e Mônica Martelli, conseguiu expor seus argumentos sem atropelos.

Mônica, que é atriz e escritora, defendeu o direito à privacidade e reclamou que artista sofre preconceito sempre fala sobre dinheiro. “Sou a favor da liberdade de expressão, mas não acho que ela é absoluta.”, disse.

Os artigos 20 e 21 do Código Civil tratam do direito à privacidade e dão hoje base legal para a proibição de biografias não autorizadas. A Associação Nacional dos Editores de Livros (Anel) questiona os artigos em uma Ação de Inconstitucionalidade Indireta apresentada ao Supremo Tribunal Federal. Os artistas do Procure Saber tentam garantir a manutenção dos artigos.

Araújo, no entanto, afirmou acreditar na mudança. “Lamento, mas é uma batalha perdida para Caetano, para Gil, para Chico, para Roberto. Lamento porque são meus ídolos”, disse.

Leia também:

Ministério Público Federal diz não à mordaça às biografias

Roberto Carlos quer censurar mais uma publicação