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Biógrafo de Mick Jagger se emenda: ‘Luciana Gimenez não foi atriz pornô, mas a mãe dela’

Jornalista americano Christopher Andersen se referiu à apresentadora como "uma modelo brasileira de 1,80 metro de altura e atriz pornô" em artigo publicado nesta segunda-feira no tabloide britânico 'The Daily Mail'

Na última segunda-feira, o jornalista americano Christopher Andersen publicou um artigo no tabloide britânico The Daily Mail com detalhes da biografia não autorizada que acaba de lançar sobre Mick Jagger. No texto, ele faz menção ao caso do líder da banda Rolling Stones com Luciana Gimenez, que resultou em seu quinto filho e na separação da atriz Jerry Hall, e se refere à hoje apresentadora da RedeTV! como “uma modelo brasileira de 1,80 metro e atriz pornô” (vide cópia do site do tabloide abaixo).

EXCLUSIVO: Biógrafo se compromete a corrigir informação sobre Luciana Gimenez

Luciana, que a princípio reagiu com bom humor ao aposto, fazendo até piada no Twitter, avisou nesta sexta-feira que estuda acionar a Justiça. Mas Andersen, que já fez diversas biografias não autorizadas e garante nunca ter sido processado, como que se desculpou do deslize em entrevista ao site de VEJA. Ele nega ter dito, no livro sobre Jagger, que Luciana era uma atriz pornô. “Eu nunca escrevi isso, disse que ela é filha de uma ex-atriz pornô.”

Procurada, Vera Gimenez admite que também pode processar Andersen. “Quero que ele morra”, diz. A confusão com a família Gimenez, que não foi esclarecida pelo jornalista (ele nega ter chamado Luciana de atri pornô no livro, mas não respondeu aos últimos e-mails da reportagem, em que o artigo do Daily Mail é citado), pode se dever ao fato de Vera ter estrelado longas de títulos sugestivos nos anos 1970, a década da pornochanchada. Entre esses títulos, estão Já Não se Faz Amor como Antigamente (1976), A Difícil Vida Fácil (1972), Tô na Tua, Ô Bicho (1971).

Seja como for, em polêmicas o controverso Andersen, de 63 anos, está escolado. Editor-chefe da revista de fofocas People, que ajudou a fundar, entre os anos de 1974 e 1986, o jornalista está habituado ao mundo picante e nem sempre glamoroso das celebridades, às quais vem dedicando a sua vida. No currículo, são mais de vinte livros, como o novo de Jagger, sobre quem já havia escrito em 1993, em Jagger: Unauthorized. Como bom cultivador de polêmicas, ele é também um craque em marketing. No primeiro livro, pegou carona no aniversário de 50 anos do roqueiro. Agora, seu gancho foi a comemoração dos 50 anos dos Stones.

Em Mick: The Wild Life and Mad Genius of Jagger (Mick: a Vida Louca e o Gênio Maluco de Jagger, em tradução livre), ainda sem previsão de publicação no Brasil, Andersen destrincha os muitos envolvimentos amorosos do roqueiro, que incluiriam beldades como a ex-primeira dama da França Carla Bruni, a atriz Angelina Jolie e o músico David Bowie.

Em entrevista concedida por e-mail, Christopher Andersen fala de seu método de trabalho, sua trajetória profissional e sua obra. Confira abaixo.

Trecho da reportagem sobre a biografia de Mick Jagger publicada no tabloide britânico The Daily Mail Trecho da reportagem sobre a biografia de Mick Jagger publicada no tabloide britânico The Daily Mail

Trecho da reportagem sobre a biografia de Mick Jagger publicada no tabloide britânico The Daily Mail (/)

Em Mick: The Wild Life and Mad Genius of Jagger (Mick: a Vida Louca e o Gênio Maluco de Jagger, em tradução livre), você diz que Luciana Gimenez, mãe do quinto filho do roqueiro, é atriz pornô? Não, não, eu nunca escrevi isso, o que eu disse é que Luciana é filha de uma ex-atriz pornô.

Por que escreveu de novo sobre a vida de Mick Jagger? Eu acompanho Mick de perto desde 1969, quando cobri o festival de rock Altamont para a revista Time, na Califórnia. Mick tinha contratado a notória gangue de motociclistas Hells Angels para fazer a segurança do festival gratuito, que atraiu 500 000 pessoas, e o resultado foi uma grande confusão. Milhares de pessoas drogadas, outras centenas gravemente feridas em brigas e ao menos quatro mortos. Um fã foi esfaqueado até a morte a apenas alguns metros do palco, enquanto Mick cantava Under My Thumb. Eu presenciei isso tudo e prometi na época que iria escrever sobre ele.

Como se interessou pela vida das celebridades? Depois de cinco anos como editor da revista Time, eu ajudei a fundar a revista People (especializada em celebridades), onde trabalhei por 12 anos como editor-chefe. Nesse período, entrevistei estrelas de cinema, roqueiros, estilistas, vencedores do prêmio Nobel, grandes empresários e políticos. Falei com todo mundo, desde Katharine Hepburn e Sophia Loren até Oprah Winfrey e Ronald Reagan. Diante disso, foi natural transferir minha paixão por escrever sobre personalidades para a produção de biografias.

Como é seu método de apuração? Eu entrevisto todo mundo que já fez parte da vida da celebridade: amigos, colegas de escola, professores, cônjuges, amantes, vizinhos, patrões e empregados, qualquer um que possa me dar uma leitura real da pessoa que estou pesquisando.

Por que escreve apenas biografias não autorizadas? Uma biografia autorizada deve passar pelo crivo do entrevistado, que prefere ter o controle sobre o teor do que vai ser contado. Então, no fim, o resultado do trabalho não passa de um grande press release (termo jornalístico que define um texto escrito com o propósito de falar bem de algo). Por mais estranho que pareça, pessoas famosas desperdiçam muito tempo focadas em si mesmas e não dão a mínima atenção para o que acontece ao seu redor. Elas acreditam piamente na imagem que tentam passar.

Você enfrenta muitos processos? Eu nunca fui processado. Todo livro que escrevo passa por uma consultoria jurídica antes de ser publicado. Eu nunca abuso da minha sorte e não tenho nenhum interesse em desafiar o destino. Eu sou muito cuidadoso em relação ao que é escrito em meus livros. Eu tenho que ser.

Qual é seu critério para escolher a personalidade sobre a qual vai escrever? Eu escrevo apenas sobre ícones que conseguiram transcender a fama e se transformaram em lendas vivas. Por exemplo, princesa Diana, Jack e Jackie Kennedy, Madonna, Michael Jackson, Bill e Hillary Clinton e, mais recentemente, príncipe William e Kate Middleton. De uma certa forma, eu os admiro, apesar de seus defeitos. São as falhas, certamente, que os tornam humanos. Eu posso dizer que simpatizo com meus personagens até certo ponto. Afinal, um certo envolvimento é necessário já que dedico, pelo menos, um ano de minha vida a descobrir tudo que eu posso sobre suas vidas.

Tem alguma história favorita? Meus favoritos são os livros The Day Diana Died e The Day John Died, porque foram os primeiros a relatar, minuto a minuto, as mortes trágicas de princesa Diana e John F. Keneddy.

Lembra de algo marcante sobre a vida de Michael Jackson, Madonna, princesa Diana e Kate Middleton? Eles são pessoas tão incrivelmente únicas que fica difícil citar um único momento marcante. Um amigo próximo de Madonna a descreveu como um “tanque humano”. Jackson tinha um talento imenso e era obstinado, mas cheio de angústias por nunca ter tido infância. Princesa Diana é a minha favorita, muito mais corajosa e inteligente do que o público pode imaginar. Kate Middleton não é essa aproveitadora que muita gente crê, mas certamente soube como laçar o homem por quem se apaixonou e, para isso, teve que ter muito jogo de cintura, inteligência e paciência. Além disso, Kate é a mulher mais bonita e estilosa a se casar com um membro da família real britânica, eles têm uma enorme sorte de tê-la por perto. Diana teria adorado a nora.