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Betty Faria e a arte de ser feliz

Atriz que defendeu o direito de envelhecer é fotografada recolhendo as compras no chão, no Leblon, e, sem perder a pose, diverte-se com a cena

Por Da Redação - 5 jun 2013, 16h14

Betty Faria sempre soube “causar”. De uma forma ou de outra, o que a atriz de 72 anos faz ganha algum tipo de repercussão – positiva para ela, o que é melhor. Há três anos, quando decidiu ir à praia de biquíni, suas fotos, longe da melhor forma que teve nos tempos de papéis sensuais como Tieta e a Salomé, de Bye Bye Brasil, ganharam uma onda de comentários na internet. Betty saiu-se com uma frase-manifesto: “O problema é a burka. Sim, burka para as mulheres fora de forma, para as velhas e desabadas”.

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A propagação de comentários pró-Betty nas redes sociais dura até hoje, o que a transformou em símbolo instantâneo de uma espécie de movimento “anticelebridade”. É a corrente que defende, entre outros “direitos”, o de não ter corpo perfeito, o de envelhecer e o de sobreviver a fotos nem sempre favoráveis.

Na tarde desta quarta-feira, a atriz deu mais uma aula. Não de biquíni, mas em um impecável vestido azul, Betty foi clicada por um paparazzo em uma situação, digamos, não muito sensual: com sacolas de compra, no melhor estilo dona de casa. Acontece que a casa em questão é de Betty Faria, e a dona não desce para o mercado em uma rua do Leblon sem ser notada por um fotógrafo. E acontece também que as sacolas, até para Betty Faria, são as do mercado, que rasgam-se, escorregam das mãos e lançam as compras ao chão.

No cômputo final, sobra Betty Faria. A atriz foi fotografada agachada, irritada com o incidente, recolhendo as compras, e, novamente de sacolas em punho, caminhando na versão carioca da calçada da fama. E daí? Sacou um chocolate e seguiu, rindo da cena, a caminho de mais uma onda de repercussão que vai surfar sem se importar com o que pensa a “turma do Photoshop”. Não é para qualquer um.

Muito antes de serem “inimigas do meio ambiente”, as sacolas de compra já vitimavam reputações. Carregar as próprias compras em um bairro nobre, para alguém apegado a alguma imagem “de nobreza” é devastador para a reputação. A canção A Banca do Distinto, de Billy Blanco, gravada por Elis Regina e Elza Soares, entre outros, é uma espécie de hino à humildade. E usa o ato de “carregar embrulho” como símbolo da empáfia.

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“Não fala com pobre, não dá mão a preto

Não carrega embrulho

Pra que tanta pose, doutor

Pra que esse orgulho?”, pergunta Billy, que lança ainda uma espécie de maldição sobre os vaidosos:

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A canção alerta que “A vaidade é assim, põe o bobo no alto e retira a escada / Mas fica por perto esperando sentada / Mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão / Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco afinal.” Betty e Billy têm muito a ensinar.

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