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Bem Gil: Dois anos sem folga

O filho de Gilberto Gil virou o produtor do momento: trabalha com o pai, com Jorge Mautner e com Roberta Sá, entre outros artistas

Você é um dos produtores mais requisitados da atualidade. Como chegou lá? Tenho trabalhado com gente aberta às novidades musicais e que gosta de conhecer artistas novos. E sou o guitarrista da Tono, a banda que acompanha Jorge Mautner. Isso ajudou a conciliar a agenda para produzir o novo disco dele, que será o primeiro com canções inéditas desde 2006. O Jorge estava enrolando para lançar o disco, mas o Bruno Di Lullo (baixista) conseguiu despertar um sentimento de urgência nele. Gravamos mais de quinze músicas inéditas. Vamos mixá-las em janeiro e lançar todas no primeiro semestre de 2019.

E você também produziu um álbum de inéditas de Roberta Sá. Sim, vai ser lançado em abril. A ideia inicial era Roberta cantar composições clássicas de meu pai, mas então ele fez uma música inédita para ela, depois outra, e outra… Eu vi a oportunidade de botar uma pilha: quem faz três músicas faz outras oito! Vamos lançar um disco apenas com inéditas.

Você trabalha também com Adriana Calcanhotto e Moreno Veloso. É sempre só gente conhecida ou tem algum artista novo no cardápio? Co­nhecer gente nova faz parte da essência do trabalho musical. Certa vez, quando fizemos um show em João Pessoa, conheci um artista chamado Wister. Tem­pos depois, ele me procurou com uma proposta. Abrimos agenda e topei. Gravamos o novo álbum dele no Rio, em uma semana. Eu prefiro reservar um dia inteiro para fazer uma única atividade, e não sete coisas na mesma data. Há dois anos e meio, não tenho um dia completamente livre de trabalho.

Nascer durante o Rock in Rio de 1985 marcou o seu destino como músico? Meu pai fez um show na madrugada do dia 13 de janeiro, enquanto na coxia minha mãe (a empresária Flora Gil) já sentia contrações. Na tarde daquele dia, ela estava na maternidade. Então, em uma matéria da Globo, o parto teve a chamada “Nasce o roqueiro do ano”. Mas, na verdade, eu demorei a entrar para a música. Só aos 16 anos fiquei com vontade de aprender violão, quando tomei aulas com Cézar (Mendes, parceiro musical de Caetano Veloso e Gal Gosta). Eu cheguei a cursar um ano e meio de geografia na UFRJ.

A sua irmã Bela virou porta-voz da alimentação saudável. Você é vegano? Não. A própria Bela não tem restrição a carne. A filha dela de vez em quando come de boa. Na verdade, ela busca o autoconhecimento e acesso à informação. Cada um escolhe o que quiser comer.

Publicado em VEJA de 2 de janeiro de 2019, edição nº 2615