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Bebê real encontra monarquia britânica fortalecida

Nascimento acontece em meio a uma incomum fase positiva da realeza - justificada, em grande parte, pela popularidade do príncipe William

A grande movimentação em torno do nascimento do bebê do príncipe William e Kate Middleton acontece em meio a uma incomum boa fase da monarquia britânica. Após quase 20 anos em baixa, provocada por uma sucessão de escândalos como a separação do príncipe Charles e a morte de Lady Di ao lado do namorado, em um acidente de carro em Paris, a família real vive um período de flerte com os ingleses. Os súditos da realeza experimentam uma inesperada onda de nacionalismo, apesar de os escoceses estarem se preparando para decidir, em setembro de 2014, se continuam no Reino Unido ou se tornam independentes — o que deve ocorrer também na Irlanda do Norte. Sintoma desse bom “momento real” é o fato de diversos veículos ingleses ressaltarem, por ocasião do nascimento do principezinho George, que a monarquia é o que une todos os britânicos.

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O nascimento de George Alexander Louis – que recebe o tratamento formal de Sua Alteza o Príncipe George de Cambridge, o terceiro na linha de sucessão ao trono britânico – ocorre em um contexto altamente favorável. A rainha Elizabeth II — no poder há 61 anos –, o príncipe Charles e o príncipe William têm, respectivamente, 82%, 60% e 82% de opiniões favoráveis, segundo uma pesquisa do YouGov. Outra pesquisa, essa da Ipsos Mori, apontou no final de 2012, o ano do Jubileu de Diamante da rainha, que ela tinha incríveis 90% de aprovação — ante 40% do primeiro-ministro, David Cameron. Na mesma pesquisa, 79% dos britânicos ouvidos se disseram a favor da manutenção da monarquia, contra 16% que desejavam a república.

Muito dessa percepção positiva da família real e da monarquia se deve a William. O duque de Cambridge é de longe o mais popular entre os britânicos. Quando instados a citar dois ou três de seus nomes favoritos da família real, 62% dos entrevistados pela pesquisa da Ipso Moris falaram em William, 48% na rainha, 36% no príncipe Harry, 23% em Kate e 21% em Charles, o príncipe de Gales.

O queridinho – É fácil entender os motivos. William aparece como o rosto jovem e saudável de uma realeza que tenta criar empatia com seus súditos e mostrar que é feita de gente “normal”, não de perdulários afeitos a futilidades e baixarias. O comportamento do casal nesta terça-feira, ao apresentar o filho ao mundo, é sinal disso. Kate disse que “qualquer família” entenderia o que eles estavam passando e o simpático William levou a mulher e o filho para casa dirigindo o próprio carro.

Órfão aos 15 anos, o príncipe tem a história marcada por uma tragédia. O que, ao lado do relacionamento com Kate, uma plebeia, o aproxima do público. Os dois se conheceram na faculdade, chegaram a ficar separados, mas o amor prevaleceu. E Kate, cujos pais se conheceram enquanto trabalhavam em uma companhia aérea e fizeram fortuna com esforço, se casou com o “príncipe encantado” — ingredientes perfeitos para aguçar a curiosidade do povo.

Outro ponto que a realeza britânica vem marcando junto à população, e muito graças a William e Kate, os pais de George, é o controle de gastos em meio à crise econômica que enfrenta a Europa. Ao contrário dos antigos monarcas, nada nessa nova geração remete ao luxo absurdo de antigos reis e rainhas. Vide a discrição de Kate com o guarda-roupa. Apesar do senso de estilo impecável, não é raro ver a duquesa de Cambridge vestir marcas populares como as vendidas pela rede Topshop, em vez de grifes famosas e caras.

Economia – Toda essa adoração, aliás, faz bem à economia, que naturalmente agradece. Especialistas estimam que o nascimento do bebê vá injetar em torno de 243 milhões de libras (cerca de 828 milhões de reais) na Grã-Bretanha, sendo 80 milhões de libras (272 milhões de reais) somente em lembrancinhas que fazem menção ao “bebê real”. Se Kate, William e George continuarem seguindo à risca essa cartilha, a monarquia britânica ainda pode durar muitos e muitos anos.

George deve se beneficiar disso. E não só. Ele nasce em uma época em que o culto à celebridade atinge índices inéditos. Com sites que acompanham a vida dos famosos quase em tempo real, o bebê passa a ser, ao mesmo tempo, uma das celebridades seguidas mais de perto pelo público — ainda mais vindo de pais tão adorados quanto os dele. E ganha, de cara, vantagem sobre outros bebês famosos nascidos recentemente, como North West, de Kanye West e Kim Kardashian, e Blue Ivy, de Jay Z e Beyoncé.