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Barbie Ferreira: ‘Sou a outra beleza brasileira’

Popular nas redes sociais pelo discurso de aceitação das curvas cheinhas, a americana de 22 anos, filha de brasileiros, está na série 'Euphoria', da HBO

Barbie Ferreira SUCESSO GG – Barbie: “A perfeição não existe e, portanto, é inatingível”

SUCESSO GG – Barbie: “A perfeição não existe e, portanto, é inatingível” (./.)

Você nasceu nos Estados Unidos, filha de pais brasileiros. Como essa mistura influencia sua vida? Fui criada pela minha mãe, que é chef, minha tia e minha avó. Então, era uma casa de mulheres brasileiras maravilhosas — e com uma excelente picanha. Isso influencia tudo: como falo, celebro, me movo, amo. Gosto de tocar, abraçar. Até minha relação com o corpo tem a ver com ser brasileira: sinto liberdade de posar de lingerie.

Quando foi que começou a aceitar suas curvas? Se você olhar em volta, verá que ninguém se parece com o que está nas fotos. Mesmo modelos magérrimas que há por aí têm suas fotos retocadas. A perfeição não existe e, portanto, é inatingível. Caí fora dessa. Claro que, aos 16 anos, não tinha tanta autoconfiança. Como toda adolescente, eu era insegura. Com o tempo, fui me encontrando. Percebia a surpresa das pessoas ao me ver usando roupas que não escondiam meu corpo. As meninas maiores não têm permissão de explorar a moda. Não me importo com o que os outros dizem ou se gostam das roupas que escolho. Não permito isso.

Você se tornou um símbolo da pluralidade da beleza na internet. Como se sente? Sou a outra beleza brasileira. Queria ser atriz, mas tinha consciência de que era grande para os padrões. Eu me construí do zero. Abri caminho pelas redes sociais. Assim, ganhei visibilidade. Um dia, recebi um e-mail que falava de um teste de modelo para uma marca de lingerie. Fiz, e fui chamada.

Seu papel na série Euphoria é o de Kat, uma garota que tem um vídeo íntimo vazado e depois decide ser uma “cam girl” (expondo-se na internet para quem se dispuser a pagar). A série exibe a realidade? Mostramos jovens que fazem escolhas ruins, como o uso de drogas e o excesso de exposição nas redes. Eles são o produto da sociedade atual. Hoje, há muito espaço para escolhas erradas.

Normalmente, nos filmes e na TV, as garotas mais gordinhas são as melhores amigas engraçadas. Kat é diferente, não? Minha personagem não é o estereótipo da garota gorda que costuma aparecer nos filmes e nas séries. Ela tem camadas, romances, cenas de sexo, coisas que não vemos normalmente garotas cheiinhas fazendo. E isso é legal. Mostra que você pode ter muitas curvas e ser atraente. Hollywood ainda não entendeu isso direito, mas estamos aqui esperando que entenda.

Publicado em VEJA de 17 de julho de 2019, edição nº 2643

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