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Banderas: “Tenho pedaços de Picasso em mim”

O espanhol Antonio Banderas falou a VEJA por telefone, de Los Angeles, sobre a experiência de viver o pintor conterrâneo na série 'Genius'

Por Marcelo Marthe - 20 abr 2018, 09h05

O senhor disse que fazer Picasso é uma grande responsabilidade. Por quê? Picasso nasceu em Málaga, minha terra, e isso é um peso. Foi um tipo desafiador: um gênio, mas um homem complicado. Desde os 20 anos, venho fugindo desse papel. Mas, quando surgiu Genius, eu não podia negar a oferta de alguém como (o produtor) Ron Howard. Ron me confessou ontem que sempre fui sua única opção. Só não me disse isso antes para eu não pedir um cachê muito alto.

Como foi sua preparação? Quando rasparam a minha cabeça e as sobrancelhas, eu me tornei uma espécie de tela em branco para pintarem sobre mim o próprio Picasso. Hoje, sinto que tenho pedaços dele dentro de mim.

O pintor foi, nas palavras do senhor, “um planeta de imensa gravidade”. Como assim? Ele atraía pessoas para sua órbita de forma irresistível. Mas, como um vampiro, precisava do sangue fresco de novas companhias. Com o tempo, isso endureceu sua alma.

Picasso era um sujeito solitário? Suas grandezas e misérias têm a mesma fonte. Como artista, ele nunca matou a criança que havia dentro de si: tinha uma curiosidade inata e rompia seu equilíbrio de propósito. Tudo isso são virtudes na arte, mas defeitos na vida pessoal. Picasso não tinha filtros. Simplesmente dizia: “Não gosto mais de você, vá embora”. No fim, o único amigo que lhe restou foi seu barbeiro.

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