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Balé do Teatro Bolshoi inicia temporada no Brasil

Tradicional grupo de dança clássica passou pelo país pela última vez em 1999

Os bailarinos do Teatro Bolshoi estão de volta ao Brasil para dançar, entre esta quarta-feira, 17, e dia 28 de junho, os balés Spartacus e Giselle. Até o dia 21, os espetáculos serão no Theatro Municipal do Rio de Janeiro; a partir do dia 24, serão apresentados no Teatro Bradesco, em São Paulo. Exceto pela sessão de quinta-feira, no Rio, os demais ingressos já estão esgotados.

Com música de Aram Khachaturian, Spartacus é uma das principais obras do grupo. A versão da companhia foi criada por Yuri Grigorovich em 1968 e encenada por Vladimir Vasiliev e sua mulher, Ekaterina Maximova, nos papéis principais. O balé de três atos conta a saga do escravo que lidera uma rebelião contra o Império Romano. Um dos destaques é o protagonismo masculino. Em pouquíssimas obras é possível ver tantos homens em cena ao mesmo tempo.

Giselle é o balé romântico em dois atos que estreou em 1841. A coreografia original é de Jean Coralli e Jules Perrot. Produzida por Vasiliev, a versão também é baseada na adaptação de Marius Petipa, de 1887. A obra mostra a história de amor da jovem camponesa por um nobre disfarçado de aldeão. Ao descobrir a farsa, a garota morre e se transforma em uma das Wilis, seres mágicos que, à noite, no meio da floresta, se vingam de homens fazendo-os dançar até a morte.

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Histórico – Criado em 1776, o teatro Bolshoi (cujo nome significa grande) sobreviveu ao fim do czarismo, ao período comunista – foi lá que a formação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) foi proclamada – e à Segunda Guerra Mundial. Mas o duro golpe veio com as dificuldades financeiras decorrentes do declínio da União Soviética, a partir dos anos 1980. Após a dissolução da URSS, em 1991, o teatro – que desde o século XVIII era mantido pelo Estado – teve de se adequar à economia de mercado. Durante a década de 1990, foram muitos os boatos sobre a crise e a falência do Bolshoi. A falta de verba afetou a qualidade das produções, e a companhia ficou anos sem produzir novas estrelas.

A recuperação veio só a partir dos anos 2000, quando o teatro começou a retomar o controle de sua marca e se abrir para novas produções. Jovens estrelas ganharam fama mundial, entre elas Svetlana Zakharova, Ivan Vasiliev (que estará no Brasil) e Natalia Osipova (hoje no Royal Ballet, de Londres). Mas toda a glória do Bolshoi não o livra da mácula de alguns escândalos. O mais recente e grave aconteceu em 2013, quando o diretor do balé, Sergei Filin, teve o rosto queimado por ácido. O atentado foi encomendado pelo bailarino Pavel Dimitrichenko. A crise foi agravada por denúncias de corrupção.

A última vez em que passou pelo Brasil, em 1999, o Bolshoi ainda não havia achado seu novo caminho. Agora, o público espera ver no palco o renascimento do grande balé russo.

(Da redação com Estadão Conteúdo)