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Auto-retratos de Bacon podem fazer R$ 134 milhões em leilão

“nível de angústia psicológica e questionamento” do artista.

Duas obras do tipo auto-retrato do pintor britânico Francis Bacon vão a leilão em julho pela Sotheby’s de Londres e podem alcançar juntas 30 milhões de libras (134 milhões de reais) — a expectativa é de que cada uma atinja 15 milhões de libras (cerca de 67 milhões de reais). As peças, Auto-Retrato (1975) e o tríptico Três Estudos para um Auto-Retrato (1980), pertencem a uma coleção particular e não são mostradas em público há quarenta anos. Antes do leilão, elas serão exibidas na sede da Sotheby’s de Londres e de Nova York.

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Auto-Retrato (1975) foi pintado no auge da carreira de Bacon, após o suicídio de seu namorado, George Dyer, em 1971. A partir daí, Bacon, que viveu de 1909 a 1992, passou a ser assombrado pelo espectro da morte. Esse assombro compõe os traços do tríptico de 1980, em que o artista aparece com os olhos baixos. O asombro também pode explicar a obsessão de Bacon com a própria imagem. Além de se retratar mais novo do que era, ele pintava o cabelo e usava maquiagem para esconder o envelhecimento.

Oliver Barker, especialista sênior em arte contemporânea da Sotheby’s, descreveu as peças ao jornal britânico The Guardian como “uma extraordinária coleção de um momento” da carreira de Bacon, que se destacam também pelo quase inedistismo. “Ambas aparecem em um livro sobre auto-retratos do pintor, mas não eram vistas fisicamente há muito tempo”, disse. “Sabíamos da existência das telas, mas não tínhamos ideia de onde elas poderiam estar.”

Para Barker, as peças contêm uma combinação de ingredientes intoxicantes. “A primeira vez que vi essas pinturas, tive um despertar maravilhoso. As duas são tão luminosas.” O tríptico, na visão do especialista da Sotheby’s, é dotado de uma “qualidade fílmica”, já que permite ver como uma ação se desenrolar em três quadros, nos quais se percebe o “questionamento e o nível de angústia” do artista. “Bacon se dedicou a questionar a existência humana, e isso é mais nítido do que nunca em seus auto-retratos.”

No final de 2013, um tríptico do britânico Francis Bacon, Três Estudos sobre Lucian Freud, se tornou a obra mais cara já leiloada, ao ser vendida por 142 milhões de dólares.