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Até quando Nicolas Cage vai acreditar que é ator?

Em 'Fúria', que estreia agora, o ator volta a desfilar sua falta de expressão facial e atuação insossa, em um roteiro repleto de clichês e de falhas

Ele jura que é ator. A gente se diverte

Além de decepcionar o público com uma enxurrada de clichês e uma fraquíssima trama de vingança, o longa Fúria, em cartaz a partir deste fim de semana no país, retoma uma pergunta que ecoa entre os fãs de cinema a cada vez que um longa com Nicolas Cage é lançado. Até quando o ator vai tentar convencer a gente de que sabe atuar? No longa, que marca a estreia do diretor espanhol Paco Cabezas (Carne de Neon) em um filme de língua inglesa, o sobrinho de Francis Ford Copolla passa vergonha mais uma vez com o seu acanhado repertório de expressões faciais e sua atuação insossa.

No filme, Cage é Paul Maguire, um ex-criminoso que tenta apenas viver uma vida normal como pai de família. Certa noite, enquanto faz uma reunião com os amigos em sua casa, a sua filha, Caitlin (Aubrey Peeples), desaparece misteriosamente. Ao notar sinais de arrombamento nas portas e janelas, e um rastro de bala da pistola soviética Tokarev na grama do quintal, Maguire logo coloca a culpa em seus antigos desafetos, os líderes da máfia russa, que poderiam estar se vingando por ele ter assassinado um dos membros da gangue quinze anos antes. Ele então se reúne com seus antigos comparsas, Kane (Max Ryan) e Doherty (Michael McGrady), para partir para cima dos russos.

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O argumento até poderia render um bom filme de ação, na medida em que um filme de ação pode ser bom, mas esbarra em muitos problemas. Um deles é o abuso da câmera lenta, que, quase como uma tentativa forçada e mal sucedida de imitar o dinamarquês Lars Von Trier, cansa o espectador. É o que acontece na sequência em que o personagem de Cage persegue os mafiosos pulando as cercas das casas do quarteirão. Há também passagens hilárias, como aquela em que um carro acerta uma viatura de polícia na rua e ele explode na hora, como o mito da Coca-Cola com Mentos. O diretor ainda tentou salvar a história de vingança manjada com uma virada no final, mas resultou a tática tão eficiente quanto colocar um cubo de gelo em água fervente. O estrago já estava feito.

Dez momentos top

Neste vídeo, é possível observar que Nicolas Cage, no fundo, é um ator esforçado. Mas não significa que ele consiga fazer um bom trabalho. A compilação com os dez “melhores momentos” da carreira de Cage apresenta algumas cenas que são realmente difíceis de se levar a sério, como sua tentativa de imitar um britânico alcoolizado para distrair os seguranças da rainha da Inglaterra no filme A Lenda do Tesouro Perdido: Livro dos Segredos (2007), ou no momento em que ele mostra todo o seu carinho pelo coelho de pelúcia em Con Air – A Rota da Fuga (1997). “Coloque o coelho de volta na caixa”, diz Cage com cara de mau a um policial. 

Cage — a gaiola das loucas

Essa outra compilação é dedicada apenas aos momentos em que Nicolas Cage perde a cabeça. Mais difícil do que assistir aos filmes é escolher a cena mais embaraçosa. Entre elas, estão aquela em que Cage quase sofre um ataque epilético ao recitar o alfabeto na frente de sua psiquiatra, em Um Estranho Vampiro (1988). Mas nada supera o sofrimento de seu personagem no terrível remake de O Sacrifício (2006), quando ele é torturado por um enxame de abelhas atirado em sua cabeça, que está presa em uma gaiola. 

Nicolas Cage doidão – remix

Os gritos, risadas e onomatopeias entoadas por Nicolas Cage em seus filmes serviram de inspiração para um remix. Baseado no vídeo anterior, um internauta colocou uma batida de fundo e editou a música com os melhores – ou piores – momentos de desespero do ator.

Nicolas Cage quer bolo de chocolate

A cena bisonha em que Nicolas Cage exige que sua mulher lhe dê o pedaço de um bolo de chocolate em Um Homem de Família (2000) também serviu de inspiração para uma música. A animação é acompanhada por uma batida eletrônica de fundo, enquanto as falas de seu personagem e da atriz Téa Leoni compõem o verso.

Melhores imitações

Apesar da falta de expressão e a atuação pífia, Nicolas Cage tem suas características marcantes. Nesse vídeo, o ator Simon Helberg, de The Big Bang Theory, e os humoristas Andy Samberg e Rob Magnotti fazem suas imitações do ator e o resultado é hilário. Quem também aproveitou para fazer sua versão de Nicolas Cage, mas não está na compilação, foi John Travolta, durante o programa do apresentador Jay Leno. Assista ao vídeo aqui.

Os defeitos técnicos do filme poderiam eximir Nicolas Cage da culpa pela ruindade da produção, mas o ator, na verdade, consegue deixar a situação ainda pior. Seja em um drama, suspense, romance, ou comédia, sua expressão de cachorro sem dono é sempre a mesma. Fúria comprova que Cage pode ter acabado de ganhar na loteria ou ter recebido a notícia da morte de um parente, que seu rosto permanecerá o mesmo. Ao longo do filme em questão, o personagem passa por três fases diferentes: a de pai de família protetor, de pai de família brincalhão e de gângster mal encarado com sede de vingança. E não convence em nenhuma das três.

Nem a participação de Danny Glover no papel do detetive Peter St. John, que tenta convencer Maguire a não tomar nenhuma atitude precipitada, consegue salvar o roteiro perfurado de falhas. Entre as escorregadas mais evidentes, estão a absurda ineficiência da perícia na investigação do caso, o espírito protetor do personagem de Glover, mesmo após o ex-criminoso despejar sangue pelas ruas da cidade, e o insight repentino e óbvio do personagem de Cage na resolução do caso. No fim, quem termina furioso, de fato, é o espectador.