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‘Aquarius’ vence prêmio de melhor filme em festival de Amsterdã

Longa do pernambucano Kleber Mendonça Filho foi bastante elogiado no World Cinema Amsterdam, na Holanda

Por Da redação - 28 Aug 2016, 17h53

O filme brasileiro Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, levou o prêmio de melhor filme no festival World Cinema Amsterdam, na Holanda. A equipe do longa comemorou a vitória com uma postagem em sua página oficial no Facebook. “Grande felicidade para toda a equipe do filme e estamos ainda mais felizes com a estreia nacional se aproximando, dia 1 de setembro”, diz a nota.

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Em sua justificativa, o júri elogiou as múltiplas camadas do filme. “Nós ficamos impressionados com um filme que junta de maneira muito elaborada uma das maiores formas de dominação no nosso mundo de hoje com uma história muito pessoal. Nosso vencedor é um filme de múltiplas camadas que habilmente retrata um entendimento crítico dos traumas da história colonial. Também é uma história de sensualidade, desejo e poder pessoal”, afirmou.

A protagonista do longa, Clara, interpretada por Sonia Braga, também foi elogiada. “Ficamos encantados em lembrar que uma mulher forte, determinada em ser fiel à sua essência, possui a força de mover montanhas. Neste filme, fomos tocados pela fotografia modesta e elegante, e o frescor da narrativa que tem o seu próprio tempo e de forma inteligente atrai o espectador para o enredo.”

Como prêmio, Mendonça Filho vai receber 5.000 euros (cerca de 18.250 reais) para a realização de seu próximo projeto. O diretor não estava presente no evento para receber o prêmio, mas enviou um vídeo em que agradece ao júri do festival pelo reconhecimento.

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Controvérsia

Na última semana, Aquarius se viu no centro de uma controvérsia do meio cinematográfico brasileiro. Primeiro, o longa recebeu classificação indicativa de 18 anos pelo Ministério da Justiça, que justificou a decisão afirmando que o filme possui cenas de “sexo explícito e drogas”. Em seguida, os cineastas Gabriel Mascaro, Anna Muylaert e Aly Muritiba retiraram seus filmes, Boi NeonMãe Só Há Uma e Para Minha Amada Morta, respectivamente, da disputa pela indicação do Brasil à categoria de melhor filme estrangeiro do Oscar – a intenção era dar destaque a Aquarius, que, segundo eles, estaria sofrendo uma retaliação política.

A teoria advém da presença de Marcos Petrucelli entre os nove nomeados para participar da comissão responsável pela escolha – Petrucelli é um forte crítico do pernambucano e da ação promovida por ele no tapete vermelho do Festival de Cannes, onde sua equipe protagonizou um protesto contra o impeachment de Dilma Rousseff.

Na semana passada, a atriz Ingra Lyberato e o cineasta Guilherme Fiúza Zenha decidiram deixar a comissão responsável por escolher o filme brasileiro que vai concorrer a uma vaga ao Oscar. “Como a comissão tem sua legitimidade questionada por grande parte de nossa classe, me retiro em respeito a minha própria tribo, lamento profundamente esse conflito e torço para que nova comissão encontre legitimidade”, escreveu Ingra em seu perfil no Facebook.

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