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Miriam Leitão teve convite cancelado por ‘prudência’, diz organizador

Coordenador da Feira do Livro de Jaraguá do Sul, João Chiodini afirma que cancelamento de participação de jornalista foi feito para evitar 'desconforto'

O cancelamento do convite a Miriam Leitão e Sérgio Abranches para participar da Feira do Livro de Jaraguá do Sul após reação de parte do público na internet se deu para evitar “desconforto”, segundo o coordenador geral do evento, João Chiodini.

“A gente se viu obrigado a cancelar porque, depois do anúncio (de que eles participariam da feira), começaram a surgir reclamações e pessoas dizendo que não deixariam ela (Miriam) falar”, afirma a VEJA. “Agimos com prudência. É ruim as pessoas estarem falando em censura agora. Mas foi o melhor para o evento e para ela. Seria muito humilhante ela vir ao palco e não deixarem que ela falasse. Ia ser desconfortável. Ela já tem uma carreira consolidada no jornalismo, não merece passar por esse tipo de coisa.”

O anúncio de que Miriam e Sérgio participariam da feira foi feito na segunda-feira 15. No mesmo dia, segundo Chiodini, surgiu uma reação na internet e nas redes sociais contrária ao convite à jornalista da Globo. “Por seu viés ideológico e posicionamento, a população jaraguaense repudia sua presença, requerendo, assim, que a mesma não se faça presente em evento tão importante em nossa cidade”, diz um abaixo-assinado on-line que pedia o cancelamento da participação de Miriam.

Nesta terça-feira, 16, a jornalista e o sociólogo, seu marido, foram desconvidados. “A feira, em suas doze edições, sempre foi marcada por ser um evento plural, que promove o conhecimento por meio da literatura, teatro, música e artes visuais. Nesses doze anos, já enfrentou inúmeras dificuldades, da escassez de recursos financeiros até enchentes. Mas nunca, em toda sua história, a festa foi atacada pela escolha de seus convidados”, diz a nota oficial da organização que anunciou o cancelamento.

Segundo Chiodini, além do abaixo-assinado, a organização do evento recebeu mensagens com tom “inflamado”, de pessoas afirmando que jogariam ovos na jornalista e que não permitiriam que seus filhos fossem à feira. “Sabíamos que o cancelamento não seria saudável para o evento, mas a qualquer momento poderia acontecer alguma coisa”, diz o coordenador. “Temos uma equipe de segurança e câmeras instaladas no local onde ocorre a feira, mas não conseguiríamos controlar todo mundo.”

Miriam e Sérgio falariam não sobre política, mas sobre suas formações como escritores. “A escolha por eles foi pela obra. Não seria fala política ou econômica”, afirma Chiodini. “A gente sabia que por ela trabalhar com política e economia poderia ter alguma reação, mas não sabíamos que as pessoas agiriam dessa maneira. Queríamos abrir o diálogo, que as pessoas ouvissem pelo outro lado. Vimos que existe um público que não quer sequer dialogar e outro com gente que escuta, apesar de não gostar do que ouve. Tivemos que tomar uma decisão que pendeu para um lado, e decidimos acalentar e abrandar esse pessoal que não quer ouvir.”