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‘A série é a voz de uma geração’, diz atriz de ’13 Reasons Why’

Segunda temporada da produção estreia nesta sexta-feira na Netflix

A série 13 Reasons Why estreia a sua segunda temporada nesta sexta-feira na Netflix. A trama, que acompanha a história de alunos do ensino-médio depois do suicídio da colega de classe Hannah Baker (Katherine Langford), ganha novas discussões com o início do julgamento do processo que os pais da garota move contra a escola onde ela estudava.

Entre os assuntos abordados na nova temporada estão a recuperação de Jessica Davis (Alisha Boe), após ter sido estuprada por outro aluno da escola, os conflitos de Tony Padilla (Christian Navarro) sobre a sua sexualidade e o vício em drogas de Justin Foley (Brandon Flynn), que começa a morar nas ruas, depois de fugir de casa.

Depois da série receber críticas sobre a maneira como retratou o suicídio de Hannah na primeira temporada – com cenas explícitas e sem alertar previamente o público sobre o conteúdo das imagens -, a produção reforçou os avisos na série, além de dar mais visibilidade a uma plataforma criada para a prevenção de suicídio e tratamento de depressão na adolescência.

Em uma conversa com jornalistas em São Paulo em que VEJA esteve presente, a atriz Alisha Boe afirmou: “Eu realmente acho que a série é a voz dessa geração”, ao comentar sobre a importância de retratar temas como depressão e suicídio em uma produção para o público jovem. “É incrivelmente importante, especialmente quando se é jovem, se ver representado na tela, porque você não se sente um estranho por ter todos esses sentimentos. Você percebe que é normal e que está tudo bem e que você vai poder superar isso.”

Confira a conversa com os atores Christian Navarro, Brandon Flynn e Alisha Boe:

Como vocês encararam as altas expectativas para essa segunda temporada?

Brandon Flyyn: É tão duro quanto soa, mas nós tentamos ignorar isso e fizemos a melhor história que pudemos.

O que vocês aprenderam com as críticas sobre os perigos que a primeira temporada poderia apresentar para quem estava vendo?

Christian Navarro: Todo mundo envolvido na produção da primeira temporada tinha o mesmo nível de dedicação e responsabilidade em contar essa história. Quem queria criticar, queria encontrar alguma coisa, e foi isso que eles conseguiram. Era aparente para nós desde o começo que era essencial contar uma história com sensibilidade e da forma mais verdadeira que pudéssemos. E construímos a segunda temporada a partir disso, oferecendo outros recursos para as pessoas conversarem umas com as outras se tiverem um problema ou se perceberam um gatilho com a série. Eu acho que a produção faz um trabalho incrível de cuidar dos seus espectadores.

Como vocês faziam para continuar com uma vida normal, desligada dos personagens, após as gravações?

BF: Pode ser difícil. O trabalho é um pouco masoquista, mas, por outro lado, sempre queremos crescer como atores e como pessoas. Fazer essas cenas difíceis, às vezes, permite que isso seja a parte mais visível daquela cena. Eu penso sobre o que eu vou tirar disso, não só como Justin, mas como Brandon também.

A Selena Gomez é uma das produtoras executivas da série. Vocês tiveram algum contato com ela durante a produção da segunda temporada?

CN: Não. Ela é uma mulher ocupada. (risos)

BF: Ela dá um suporte geral. É como na maioria dos outros programas, em que o produtor executivo não está, necessariamente, nas gravações todos os dias. E nós temos representantes da Netflix, da Paramount e de patrocinadores anônimos. O trabalho ainda está acontecendo, só não é na nossa frente.

Alisha, a Jessica muda muito na segunda temporada e tem uma história muito forte. Como foi a sua pesquisa para isso?

Alisha Boe: Se tem uma coisa que eu nunca vou fazer é conversar com garotas que foram abusadas, a menos que elas estejam abertas a isso e queiram contar as suas histórias. Falar sobre o assunto pode fazer com que elas revivam o próprio trauma, o que é a última coisa que quero.  Eu pude conversar com um psicólogo que lida com vítimas diretamente, há muitos artigos online e documentários como Audrey & Daidy, que são incríveis.

A Jessica está completamente diferente na segunda temporada, porque um caso traumático aconteceu com ela. O trauma muda uma pessoa. Nós queríamos ressaltar que Jessica era uma menina inocente. Ela tem que tentar se sentir confortável no próprio corpo. Ela sente que está vivendo em uma prisão. Eu realmente quero que as pessoas que assistirão à segunda temporada saibam como ajudar alguém que esteja passando por isso.

Na segunda temporada, uma personagem diz a frase ‘às vezes, guardar segredos é como você sobrevive’. O que vocês acham disso?

AB: Eu posso falar apenas por mim mesma, mas manter segredos é como você se mantém segura, de alguma forma. É um mecanismo de defesa: ‘Se eu não mostrar meu lado obscuro, as pessoas não vão achar que há algo errado comigo’. Temos tanto medo de admitir, não que há algo de errado conosco, mas que há algo com o qual você não está confortável. 

Vocês conversaram com seus pais sobre a série?

AB: Na primeira temporada, eu conversei com a minha mãe e até mandei o roteiro para ela (coisa que eu não tinha permissão para fazer) do episódio em que a Jessica é estuprada. Eu e ela somos muito próximas e nós conseguimos falar sobre qualquer coisa. Ela me ajuda pessoalmente, antes de qualquer coisa. Na outra noite, eu estava tendo um ataque de ansiedade muito ruim, liguei para ela e conversamos por três horas até eu dormir. Nós nos aproximamos com a série, porque começamos a conversar mais abertamente, por causa das discussões que 13 Reasons Why incitou.

A primeira temporada da série levantou uma grande discussão sobre a maneira como se deve retratar depressão e suicídio em produções fictícias. Qual é a importância de discutir esses assuntos com adolescentes?

AB: É importante porque são casos frequentes na nossa sociedade. Nesta geração, eu vejo como nós somos abertos sobre os nossos problemas. Você pode ver muitas coisas ruins sobre a internet e redes sociais, mas algo muito bom que saiu disso é que nos faz mais conectados. Eu posso ler algo online de uma pessoa que está escrevendo da Rússia e com o qual posso me identificar imediatamente. É incrivelmente importante, especialmente quando se é jovem, se ver representado na tela, porque você não se acha um estranho por ter todos esses sentimentos. Você percebe que é normal e que está tudo bem e que você vai poder superar isso. Estou muito feliz que 13 Reasons Why está na Netflix, porque, veja bem, nós estamos no Brasil, falando de uma série que foi feita nos Estados Unidos e à qual muitos países podem assistir. É um termo forte, mas eu realmente acho que a série é a voz dessa geração.

Na primeira temporada, a série mostrou as fitas-cassete e agora nós temos as polaroides, que dão pistas sobre histórias escondidas dos personagens. Como vocês encaram essa nova expressão vintage?

CN: É uma maneira de contar a história. Nós tínhamos as fitas na primeira temporada. E todo mundo, até os atores, estavam pensando como faríamos na segunda temporada. Temos roteiristas incríveis que pensaram nessa forma única e atemporal de contar a história. E também é uma ferramenta inteligente para incluir gerações mais velhas. Você tem pessoas de diferentes idades que podem se identificar com o seriado.