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A retomada do forró pé de serra

O gênero, que vinha sendo castigado por bandas plastificadas, passa por um momento de alegre vitalidade, com a ascensão de novos talentos e o retorno de figuras históricas

Parece coisa de estrela do rádio dos anos 1950. Durante a entrega do Troféu Gonzagão, uma espécie de Grammy da música nordestina que acontece todo ano na cidade paraibana de Campina Grande, o cantor (ou melhor, cantador) cearense Santanna é disputado, a tapas e empurrões, pelo público. “Santanna, eu sou tua fã!”, grita uma mulher. “Santanna, por favor, tira foto comigo”, implora outra. Em uma sala reservada, onde posou para uma das fotos que ilustram esta reportagem, Santanna ainda declamou poemas do também cearense Xico Bizerra para o público que furou o minibloqueio. O cantador nem de longe era a maior estrela da festa, na qual se apresentaram as cantoras Alcione e Elba Ramalho. Muito menos é adepto do forró eletrônico, chamado jocosamente pela velha guarda de “forró de plástico”. Santanna, com seu chapéu de cangaceiro e sandália de couro, é venerado por ser um forrozeiro “pé de serra” – termo usado para designar cantadores de estilo tradicional. Tradição que não se confunde com estagnação: sanfoneiros como Waldonys, Cezzinha e Mestrinho e cantores como Lucy Alves, Silvério Pessoa, Maciel Melo e Josildo Sá têm mostrado o caminho das pedras para modernizar o forró, sem ranço passadista, mas também sem sucumbir à lambada erótica dos tais forrozeiros eletrônicos. A atitude desses artistas dá seguimento ao trabalho de veteranos que estão retomando a carreira (caso do sanfoneiro Oswaldinho do Acordeon, da compositora Anastácia e do cantor Oséas Lopes) ou simplesmente foram colhidos pela boa novidade da revitalização forrozeira enquanto dão prosseguimento a seus trabalhos – e aqui temos os incansáveis cantores Biliu de Campina e Genival Lacerda. A sanfona, esse instrumento que tem uma ligação umbilical com o forró e com o baião, ainda ronca – e alto.

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