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A comportada afilhada de Amy Winehouse

Apesar de ter ídolos das décadas de 1950 e 60, Dionne Bromfield, de 15 anos, não nega a idade e coleciona pôsteres de Justin Bieber. Promessa da música britânica, ela faz sua estreia fora do Reino Unido nesta terça, no Summer Soul

Apesar da pouca idade, apenas 15 anos, ela tem um vozeirão e, como influências, artistas que seus avós deviam gostar de ouvir. São esses diferenciais que a ligam à cantora Amy Winehouse, sua madrinha musical, que foi igualmente bem dotada de voz e de gosto. Mas as semelhanças entre madrinha e afilhada param por aí. De jeito doce e bem comportado, longe do comportamento desregrado que abreviou a vida de Amy, Dionne Bromfield se prepara para a sua primeira incursão fora do Reino Unido sem expectativa de causar bafafá. A cantora, que até se assume fã de Justin Bieber, se apresenta nesta terça-feira em São Paulo, na primeira noite do festival Summer Soul em 2012, e segue com o evento para o Rio, onde canta na quarta, e para Florianópolis, onde faz show no domingo.

“Eu costumava ser obcecada por Bieber, colecionava pôsteres em casa, mas agora isso está diminuindo”, diz Dionne, que em seus discos investe apenas no passado. A britânica iniciou carreira aos 13 anos, em 2009, com o apoio de Amy e de sua gravadora, a Lioness. O primeiro CD, Introducing Dionne Bromfield, recém-lançado por aqui, foi composto por versões cover de músicas dos anos 1950 e 60. No iPod da cantora, podem estar artistas dezenas de anos mais velhos que ela – como Marvin Gaye, Aretha Franklin e Beatles – e ainda estrelas pop como Beyoncé, Britney Spears e Rihanna. E Justin Bieber.

Desde a morte de Amy, em julho de 2011, Dionne segue carreira fugindo às comparações. “Quando ela morreu, todo mundo no Reino Unido passou a dizer: ‘Você tem que preencher o lugar dela, agora’. Mas eu não quero fazer isso, porque eu não sou a Amy e ninguém nunca vai ser”, diz. Apesar de evitar comparações, Dionne Bromfield pode cantar uma música da madrinha no show que faz no Summer Soul, composto basicamente do seu segundo disco, Good for the Soul (2011), de faixas do primeiro e de um cover surpresa, que tudo indica ser de Amy. “É o primeiro show que faço fora do Reino Unido e estou empolgada.” Confira abaixo a entrevista de Dionne Bromfield ao site de VEJA.

Qual a diferença entre seus dois primeiros discos, Introducing Dionne Bromfield e Good for the Soul? O primeiro foi feito de covers e serviu como introdução para a carreira. Esse álbum foi um trampolim, e me deu segurança. Mas Good for the Soul eu senti que era meu primeiro álbum de verdade, porque eu escrevi as músicas.

Como foi começar a escrever suas próprias letras? Foi engraçado. Amy foi quem me incentivou a isso. Eu não sabia como fazer e ela me disse: “Escreva um diário”. Então, eu comecei a escrever um diário e, um dia, quando fui a uma sessão para compor, saímos de lá com Yeah Right. A composição levou apenas três horas para sair. As melhoras músicas de Good for the Soul foram escritas em um pequeno espaço de tempo.

De onde você tira inspiração para escrever? Muito de Marvin Gaye. Eu costumava escutá-lo o tempo todo. Um dia, estava escutando What’s Going on e pensando, “Você é um gênio. Como você escreve algo assim?”. Eu costumava escutar artistas mais antigos, como Beatles, Paul McCartney e John Lennon. Obviamente, eles eram mais velhos que eu quando escreveram as músicas que eu ouvia e podiam falar sobre estar apaixonado, sobre ter um caso com alguém. Além disso, eles são homens, eu sou uma menina. Mas eu costumava escutar essas músicas e me sentir conectada emocionalmente com elas.

Você se sente pressionada por ser a afilhada de Amy Winehouse? Eu me sinto mais pressionada agora que ela está morta do que antes, porque todo mundo diz: “Você tem que continuar o que ela fez”. Quando ela estava viva, tê-la como madrinha foi uma ajuda imensa dentro dessa indústria. Mas, depois que ela morreu, todo mundo no Reino Unido passou a dizer: “Você tem que preencher o lugar dela”. Eu não quero fazer isso, porque eu não sou a Amy e ninguém nunca vai ser.

Você sempre gostou desse tipo de música? Sim. Foi bastante por influência da minha mãe. Ela costumava escutar todas essas coisas mais antigas sem parar. Eu também gosto de Britney Spears, Christina Aguilera, Spice Girls, mas tem algo nesse estilo musical que é fascinante, até mesmo em relação às roupas, ao cabelo e à maquiagem. É tudo interessante. As coisas sobre as quais eles cantam são tão genuínas, do coração, e é por isso que eu gosto.

O que mais você gosta de escutar? Aretha Franklin, Lauryn Hill, Boyz II Men. Gosto bastante também de Beyoncé, Lady Gaga, Rihanna.

Justin Bieber? Hum, eu gosto bastante de Justin Bieber. Eu costumava ser obcecada por ele, tinha pôsteres dele na minha casa, mas agora isso está diminuindo. Eu acho que quando eu o conheci, eu pensei: “Você não é mais uma criança, por que você está enlouquecendo por ele?”. Eu o conheci em 2010 e o encontrei novamente no ano passado. Ele é um garoto muito legal.

Você teve um problema com a sua voz neste mês. Como está agora? Está tudo bem. Eu tive um refluxo. Estava trabalhando na época e não tinha tempo de tomar café da manhã, almoçar, não estava comendo direito e estava dormindo muito tarde. Isso fez o ácido do estômago subir até a garganta e tiveram que colocar uma câmera para ver o que estava acontecendo, mas estou bem agora.

Como está sua vida agora? Está muito boa. Eu nunca esperava vir ao Brasil. Nunca tinha imaginado que eu estaria me apresentando aqui. É o primeiro show que faço fora do Reino Unido e estou empolgada. O Brasil é, provavelmente, o país que mais tem me apoiado desde o início. Eu notei que, no primeiro vídeo que eu postei no Youtube, o primeiro comentário que surgiu não era de um britânico, era de um brasileiro. É bom estar em um país que me apoia.

Você está gravando um novo álbum? Devo começar a gravar em breve e o lançamento deve ficar para 2013.

O que podemos esperar desse álbum? Deve ser diferente, com mais assuntos pessoais, porque eu passei por muita coisa no ano passado. Pode ter algo sobre garotos, amor, confiança.

Você namora? Não, sou muito ocupada para ter um namorado (risos).

O que vamos ver em seu show no Summer Soul Festival? Dança! Eu espero que as pessoas gostem. Cantarei sete músicas de Good for the Soul, duas de Introducing Dionne Bromfield (Mama Said e Ain’t No Mountain High Enough) e um cover, mas você precisa ver o show para saber, porque é um segredo.

Você pretende fazer algum tributo à Amy Winehouse? No ano passado, ela foi a apresentação principal do festival. Você precisa ir ao show para ver. Não vou entregar nada.