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Seis filmes essenciais da obra de Bernardo Bertolucci

Diretor se estabeleceu como grande nome do cinema italiano e ainda conquistou espaço em Hollywood

Parte da chamada Era de Ouro do cinema italiano, Bernardo Bertolucci conquistou prestígio dentro e fora de casa, inicialmente com filmes herdeiros diretos do neorrealismo, com críticas políticas ainda em resposta ao fascismo, até conquistar Hollywood com tramas mais comerciais e atores populares nos Estados Unidos.

O cineasta de 77 anos, morto nesta segunda-feira após uma longa batalha contra o câncer, deixou títulos que marcaram a história do cinema, além de uma grande polêmica. Confira abaixo seis trabalhos essenciais para conhecer ou lembrar o trabalho do diretor.

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O Conformista (1970)

Bertolucci teve a difícil missão de entrelaçar uma forte trama psicológica com uma reflexão política sobre o fascismo na adaptação do livro de mesmo nome de Alberto Moravia, publicado em 1951. Na trama, Marcello (Jean Louis Trintignant) aceita trabalhar para Mussolini e se apaixona por uma bela jovem. Em sua lua de mel, o protagonista decide ir para Paris, onde realiza a missão de vigiar um antigo professor da faculdade, que fugiu da Itália por causa da ascensão do fascismo. O longa rendeu a primeira indicação ao Oscar do cineasta, como melhor roteiro adaptado.

 

Último Tango em Paris (1972)

Na Paris dos anos 1970, um americano recém-viúvo e uma jovem francesa vivem um relacionamento puramente sexual, sem saber, ao menos, o nome um do outro. Um encontro em uma casa de tango, no entanto, muda drasticamente o rumo do relacionamento. Considerado uma obra-prima do cinema, Último Tango em Paris foi indicado ao Oscar de melhor ator, para Marlon Brando, e melhor diretor, para Bertolucci. Ambos foram acusados de abuso sexual por Maria Schneider, que alegou ter sido estuprada na polêmica cena final do longa, em que o personagem de Brando sodomiza a menina. Anos depois da acusação, o diretor italiano admitiu o caso. “Queria gravar sua reação como menina, não como atriz.” No Brasil, a produção foi censurada pela ditadura militar, sendo exibida, apenas, em 1979.

 

1900 (1976)

O filme 1900 é um retrato da luta de classes na Europa no começo do século XX, quando ideais extremistas ganhavam força no continente. Dois amigos de infância, Alfredo e Olmo, se tornam inimigos ao passo que um, filho de um dono de terras, se apega a ideais fascistas, enquanto o outro, camponês, envereda para o comunismo. A obra ilustra, também, a visão do próprio Bertolucci sobre a questão.

 

O Último Imperador (1987)

O Último Imperador remonta à história de Pu Yi, herdeiro do trono chinês deposto, ainda criança, pelo Partido Comunista. Criado em meio à realeza, ele é forçado a se adaptar à vida no novo regime. O filme recebeu, ao todo, nove estatuetas no Oscar, inclusive os de melhor filme e melhor diretor, para Bertolucci.

 

Beleza Roubada (1996)

Longe dos grandes orçamentos, mas dentro da pomposa indústria de Hollywood, o longa apresenta duas grandes belezas na tela: a de Liv Tyler e da Toscana durante o verão. A protagonista Lucy Harmom decide visitar a região italiana, após o suicídio da mãe, para reencontrar um antigo amor. Durante a aventura, a jovem de 19 anos afeta a vida dos novos amigos.

 

Os Sonhadores (2003)

Mais uma vez, Bertolucci mistura política com um complicado jogo psicológico. Durante a revolução estudantil francesa da década de 1960, o americano Matthew vai estudar em Paris, onde conhece o casal de gêmeos Isabelle (Eva Green) e Theo (Louis Garrel). Com uma paixão em comum pelo cinema, os três começam a desenvolver relações cada vez mais próximas e íntimas. A efervescência da luta dos jovens se mistura com jogos sexuais. Tudo sempre acompanhado com referências à sétima arte.