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USP assina acordo no MP para combater trotes violentos

Compromisso foi firmado com diretores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, no campus de Piracicaba, que tem fama de aplicar trotes violentos

Para evitar problemas na volta às aulas, prevista para o dia 23, a direção da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), assinou um termo no Ministério Público se comprometendo a combater os trotes violentos no campus de Piracicaba, interior de São Paulo. A escola recebeu nos últimos meses denúncias de violência e abuso sexual entre os alunos, que estão sendo investigadas por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Para evitar que calouros sofram abusos dos veteranos, uma série de medidas será colocada em prática. A primeira delas é uma campanha de conscientização com a participação de promotores de Justiça, que farão palestras aos estudantes e acompanharão o ambiente universitário.

O Termo de Ajuste de Conduta (TAC) assinado prevê ainda a realização de uma “semana de integração aos ingressantes”, quando os alunos serão orientados sobre a vida na USP e sobre os canais de denúncia para violência na instituição. “O trote não é um valor da nossa instituição e seremos ainda melhores sem ele”, afirmou em nota Luiz Gustavo Nussio, diretor da Esalq.

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O que está por trás da violência dentro das universidades

A direção da faculdade e o Ministério Público definiram que casos que acontecerem fora do campus também terão repercussão interna. Desse modo, as repúblicas serão consideradas extensão da universidade. Já os estudantes envolvidos em trotes serão objeto de sindicância sob pena de expulsão. Os alunos da Esalq, através do Centro Acadêmico, divulgaram documento em favor de medidas para “coibir práticas opressoras realizadas por estudantes dentro e fora da universidade”.

O presidente da CPI que apura denúncias de trotes nas universidades paulistas, deputado Adriano Diogo (PT), esteve ontem em Piracicaba. A comissão está realizando audiências públicas nesta semana e prevê encerramento das atividades para 14 de março, ocasião em que apresentará o relatório final propondo, entre outras coisas, que trote seja considerado crime de tortura.

Manual das calouras – Outra medida tomada pela USP para coibir trotes violentos foi a inclusão de um Manual para Calouras, que irá orientar sobre maneiras de denunciar abusos físicos e verbais. Cerca de 15.000 cópias da cartilha serão entregues às estudantes aprovadas na Fuvest no dia da matrícula presencial, que começa nesta quarta-feira. De acordo com a universidade, o manual foi elaborado em parceria com os movimentos de apoio às mulheres coordenados por universitárias da USP.

(Com Estadão Conteúdo)