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Universidades da gestão Lula mantêm desigualdades

Nas novas instituições há mais ricos do que pobres e mais brancos do que negros

Por Da Redação 18 ago 2011, 10h35

A política de expansão das universidades federais do governo Lula (2003-2010) não conseguiu reduzir as desigualdades sociais e econômicas que sempre predominaram nas instituições públicas de ensino superior do país. Em cinco das 14 novas universidades, há mais ricos que pobres, em oito a percentagem de alunos brancos é maior do que a média nacional, enquanto que a de alunos que se declararam negros é menor do que a média em nove delas.

É o que mostra levantamento do jornal O Estado de S. Paulo nas 14 universidades criadas pelo ex-presidente com base em cruzamento de dados da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que em 2010 entrevistou 19.691 alunos de 53 das 56 universidades federais do país. Anteontem, a presidente Dilma Rousseff anunciou a criação de mais quatro federais.

O governo Lula criou várias medidas para aumentar o acesso das camadas mais pobres à universidade pública. O sistema de cotas sociais e raciais, por exemplo, foi adotado por 20 universidades federais de 14 estados. A criação, em 2009, do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) – que seleciona estudantes para vagas em universidades federais por meio da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – deu chance para que um estudante de um Estado possa cursar uma federal de outro. Neste ano, o Sisu registrou 2 milhões de inscrições.

Os recortes feitos pela reportagem, porém, indicam que o avanço na inclusão ainda é lento. Em cinco das novas universidades da era Lula, por exemplo, a proporção de alunos ricos varia de 68% a 84% – bem maior que a média das 56 federais existentes (56%).

A Universidade de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) lidera a lista das instituições com maior proporção de alunos ricos, ou seja, das classes A e B. Lá, além de 84,85% dos estudantes que pertencem a essas classes, 91,67% são brancos e 75,76%, mulheres. “O perfil do nosso aluno é similar ao dos estudantes da Região Sul, com as peculiaridades da área da saúde”, diz o pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários, Luís Henrique Telles da Rosa.

Entre as diversas explicações para os percentuais estão o fato de ser uma instituição pequena e voltada especificamente para uma área, na qual é tida como uma das melhores do país, o que a faz ser bastante concorrida. Assim, acaba selecionando os alunos que tiveram chances de se preparar nas melhores escolas.

A mesma desigualdade é verificada quando se trata da divisão por cor. Estudantes autodeclarados brancos são maioria em oito das novas universidades, com índices que variam de 71,14%, na Universidade Federal do ABC, a 91% da UFCSPA. A média das federais brasileiras é de 53,59%.

(Com Agência Estado)

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