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Universidade de Oxford oferece dez bolsas de estudos a refugiados

Os recursos foram conseguidos por uma campanha de “financiamento coletivo” entre os estudantes, ideia da brasileira Thais Roque

Dez bolsas de estudo da Universidade de Oxford, na Inglaterra, serão oferecidas a alunos refugiados para o ano letivo de 2017-2018. Os recursos, conseguidos por meio de um “financiamento coletivo” entre os estudantes, foram arrecadados por meio da iniciativa Estudantes Refugiados em Oxford (OXSRC, na sigla em inglês), da brasileira Thais Roque.

“Estava cansada de ver as notícias sobre refugiados no país e não fazer nada”, disse Thais, que faz doutorado em engenharia biomédica na universidade.

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Bolsas para refugiados – Lançada em outubro do ano passado, a campanha começou sem a participação institucional de Oxford. O objetivo era fazer com que cada aluno da universidade se comprometesse a doar 1 libra por mês (cerca de 3,60 reais), durante dois anos, para financiar bolsas de estudos para estudantes refugiados.

“A ideia era fazer a diretoria compreender que, além dos programas oficiais de bolsas de estudos, havia a necessidade de um projeto como esse”, disse Thais. De acordo com o Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur, na sigla em inglês), de janeiro a março deste ano 129.994 refugiados e imigrantes chegaram à Europa. Dados da Organização Internacional para Migrações (OIM) revelam que há mais de 1 milhão de refugiados e imigrantes na Europa, desde 2015.

 

No início deste ano, a Universidade Oxford acolheu a ideia dos estudantes e criou uma conta corrente para aqueles que desejam doar mais de 1 libra ou que estão fora do Reino Unido. Em junho, a campanha contava com mais de 11.000 alunos inscritos que haviam se comprometido a doar 1 libra por mês, ou seja, 240.000 libras durante os próximos dois anos. Este valor pode custear os estudos de 10 alunos, cobrindo as mensalidades, a acomodação e a alimentação para um ano de estudos.

As bolsas serão oferecidas a partir do ano letivo de 2017-2018, porém a banca avaliadora, composta por estudantes e professores de Oxford ligados a estudos de refugiados, já encontrou oito potenciais alunos para começar os estudos em setembro deste ano. “Estamos recebendo ajuda financeira para essas bolsas de doadores externos, das instituições por área de Oxford e de membros do corpo administrativo e docente da universidade”, disse Thais.

De acordo com os dados da estudante, quase 70% dos alunos que se interessaram em ganhar as bolsas de estudo são da Síria. Os outros candidatos vêm do Afeganistão, Irã, Iraque e Uganda.

“A maioria dos refugiados se candidata para estudar em cursos de química, engenharias, medicina e direito. Também há muitos estudantes de jornalismo que sofreram perseguições políticas do governo local. Profissões assim são necessárias para a reconstrução de um país”, afirmou Thais.

Thais conta que grande parte do seu currículo educacional – graduação em engenharia biomédica na Alemanha, mestrado e doutorado em Oxford – aconteceu por meio de bolsas de estudo. “Gostaria de poder oferecer a outros estudantes a oportunidade que tive de me aperfeiçoar em uma instituição tradicional e respeitada”, disse Thais.

Brexit – Com a saída do Reino Unido da União Europeia na última semana, Thais diz estar preocupada com os reflexos para os estudantes refugiados que irão participar do ambiente universitário. “O meu medo é o possível aumento do preconceito contra os alunos que estarão aqui no Reino Unido”, disse.