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Trote é ‘tradição ultrapassada’, diz reitor da USP

Em vídeo de boas-vindas aos estudantes, Marco Antônio Zago fala de casos de violência no campus e de reforma administrativa na universidade

Em vídeo de boas-vindas aos novos alunos da Universidade de São Paulo (USP), o reitor Marco Antônio Zago reforça a posição que a instituição vem adotando contra os trotes universitários, comumente aplicados no início do ano letivo. “Tradições ultrapassadas, como trote e humilhação dos calouros, ou desrespeito a identidade de gênero ou diversidade, não fazem parte da vida de uma universidade moderna”, disse o reitor no vídeo divulgado nesta quarta-feira.

Na apresentação de cerca de seis minutos, Zago também fala sobre a proibição da instituição em relação ao consumo de álcool em festas da universidade. “Festas com consumo de grande quantidade de álcool e outros estimulantes não fazem parte da vida acadêmica sadia”, diz.

A USP foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Estado que investigou denúncias de abusos cometidos em festas de alunos da universidade, na qual aconteceram casos de violência, estupros e consumo exagerado de bebidas alcóolicas. O ano letivo na instituição começou oficiamente no dia 23 de fevereiro.

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Além de falar sobre a recepção de novos alunos, o reitor da principal universidade do país também citou a expectativa de uma reforma administrativa na instituição, que prevê “racionalizar processos, compartilhar atividades entre diferentes setores e unidades, fortalecer procedimentos digitais, abolir redundâncias e evitar o trâmite desnecessário de papeis”, diz Zago.

Outro tema abordado no vídeo foi a reforma no estatuto da USP, que já estaria sendo discutida pela administração central da universidade e deverá ser votado ainda este ano. Em sua fala, Zago não comentou que medidas a USP vai tomar para evitar maior comprometimento financeiro. Segundo estimativa do governo estadual, a instituição deve receber 121 milhões de reais a menos este ano, de um orçamento de 4,8 bilhões de reais. O repasse de verba para as universidades estaduais é condicionado à arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Em 2014, a USP enfrentou a pior crise financeira de sua história. Ampliação de cursos e contratações de professores foram congeladas em função do comprometimento com a folha de pagamento, que chegou a consumir 105% do orçamento disponível para a universidade.