Temperamento, chave para a escolha da profissão

Orientadora de carreiras fala sobre o teste vocacional, elaborado a pedido de VEJA.com, que ajuda vestibulandos na hora da 'grande decisão'

Por Raquel Carneiro - Atualizado em 24 maio 2016, 17h03 - Publicado em 30 jun 2013, 09h50

Orientadora de carreira Maria da Luz Calegari Orientadora de carreira Maria da Luz Calegari

Orientadora de carreira Maria da Luz Calegari /

Escolher uma profissão costuma ser uma tarefa penosa para boa parte dos estudantes. Recém-saídos do ensino médio, eles precisam assinalar um “X” na carreira que, em tese, terão de exercer pelo resto da vida (na prática, contudo, as guinadas profissionais são cada vez mais frequentes). Nessa hora, a dúvida é comum e compreensível. São muitas as opções, e mudanças de rumo quase sempre implicam investimento extra de energia e dinheiro. Para reduzir as dúvidas na hora da “grande escolha”, alguns caminhos já são conhecidos: pesquisar a carreira almejada e conversar com profissionais que atuam nela. Um caminho complementar é uma investigação voltada ao próprio estudante – e também conduzida por ele. O “conhece-te a ti mesmo”, inscrição do Oráculo de Delfos que prometia sabedoria aos homens da Antiguidade que procuravam a verdade em si próprios, segue atual e útil. “A identificação do temperamento de uma pessoa nos fornece a visão de mundo dela, seus interesses, valores e, ao mesmo tempo, vocação e habilidades”, diz a pesquisadora e orientadora Maria da Luz Calegari, autora do livro Temperamento e Carreira. A modalidade de aconselhamento adotada por Maria da Luz não se apoia na noção trivial de temperamento (explosivo, brando etc.), mas em quatro tipos psicológicos definidos pelo conjunto de características pessoais: idealista, cerebral, guardião e hedonista. Apoiada na teoria jungiana, a pesquisadora desenvolveu um teste com 25 perguntas, a serem respondidas pelos vestibulandos com uma indicação: “Conhece-te a ti mesmo”. “O teste serve como um passo preliminar”, diz a orientadora. “O ideal é respondê-lo e, em seguida, buscar aconselhamento personalizado, o que permite conhecer com quais áreas ou profissões o orientando se identifica mais.” Confira a entrevista a seguir.

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De maneira geral, como funciona a orientação vocacional? Existem diversas modalidades de orientação vocacional. Todas incluem ferramentas que, de alguma forma, identificam e medem talentos e habilidades. Trabalho com uma modalidade de orientação que foca no autoconhecimento a partir do temperamento das pessoas. O temperamento é a espinha dorsal da personalidade.

O que é exatamente temperamento segundo essa concepção? É um conjunto de tendências inatas, relacionadas a visão de mundo, interesses, valores e habilidades mais evidentes que uma pessoa tem. A teoria dos temperamentos surgiu no século VI antes de Cristo, com o médico grego Hipócrates. Desde então, tem sido objeto de estudo de filósofos, médicos, psicólogos e hoje conta com o aval de neurocientistas, que identificaram as especializações dos dois hemisférios cerebrais, cruciais para determinar inclinações para esta ou aquela área de estudos e trabalho.

Como nasce uma vocação? A vocação está intimamente relacionada ao temperamento. É ele que impele alguém a buscar a realização pessoal, o que inclui satisfação profissional, atendendo à visão de mundo que a pessoa tem – seus interesses, valores e habilidades. Somos mais bem-sucedidos e felizes quando escolhemos carreiras em acordo com nosso temperamento.

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Qual o objetivo principal do teste que a senhora criou? Identificar o temperamento. A identificação do temperamento de uma pessoa nos fornece a visão de mundo dela, seus interesses, valores e, ao mesmo tempo, vocação e habilidades. Em uma palavra, sua natureza.

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Qual a lógica por trás do teste? Partindo do princípio de que existem quatro temperamentos, o teste leva em conta as peculiaridades de cada um: como a pessoa de um determinado temperamento costuma perceber as situações a seu redor e a forma pela qual toma decisões nesses casos. Por se repetir, a opção por um modo de perceber e de decidir firma uma preferência, e esta nos fornece o padrão de pessoa.

Uma pessoa pode ter dois temperamentos? Sim. E isso não deve assustar ninguém. Muitas vezes, isso é sinal de versatilidade. Uma conversa aprofundada entre orientador e orientando permite esclarecer dúvidas e, assim, chegar facilmente ao temperamento preponderante.

O teste é suficiente para a escolha da carreira a seguir? O teste serve como um passo preliminar. O rol de profissões é muito amplo. O ideal é responder o teste e, em seguida, buscar aconselhamento personalizado, o que permite conhecer com quais áreas ou profissões o orientando se identifica mais. É preciso lembrar que o teste aponta como resposta diversas profissões, que requerem talentos próprios de determinado temperamento. Mas não bastam os talentos. A vocação tem de ser levada em conta.

Qual o passo seguinte após o teste? Deve-se empreender uma ampla análise, que inclui pesquisar as perspectivas de cada profissão, o que elas exigem do profissional e os currículos de escolas que oferecem os cursos desejados, além, é claro, de conversar com gente que já exerce a profissão.

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