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Suspeita de desvio no Fundeb faz MPF lançar operação de fiscalização em todo o país

Órgão quer reaver quase 735 milhões de reais que deveriam financiar a educação infantil e vai acionar gestores resistentes na Justiça

Por João Nogueira Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 4 ago 2026, 17h30 | Atualizado em 4 ago 2026, 17h46
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O Ministério Público Federal (MPF) deu início a uma fiscalização nacional para investigar a possível destinação irregular de quase 735 milhões de reais em recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

A suspeita central das autoridades é que os expressivos valores repassados pela União a diversos municípios brasileiros, no período compreendido entre 2021 e 2025, não cumpriram os percentuais constitucionais mínimos obrigatórios para investimentos na educação infantil e na melhoria estrutural da rede de ensino.

De acordo com as regras estabelecidas pela Constituição Federal, ao menos 50% da complementação do valor anual total por aluno (VAAT) deve ser obrigatoriamente revertida à educação infantil. Além disso, a legislação determina que 15% dessa quantia seja destinada a despesas de capital, tais como reformas de infraestrutura e aquisição de equipamentos pedagógicos e operacionais.

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Entretanto, dados do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação (Siope), extraídos em março de 2026, apontam que as metas não foram atingidas por gestores de diversas regiões brasileiras. O cenário sugere que as verbas foram desviadas de suas finalidades originais ou geridas de forma indevida, prejudicando diretamente o atendimento em creches e pré-escolas públicas pelo país.

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Diante do quadro, o MPF vai atuar em duas frentes: punir eventuais desvios financeiros e, ao mesmo tempo, assegurar a recomposição integral do rombo nos cofres públicos. A estratégia foi destacada pela coordenadora do Comitê Interinstitucional de Financiamento da Educação, Niedja Kaspary. “Nosso principal objetivo é assegurar que os recursos sejam aplicados na expansão, manutenção, qualificação e estruturação da educação básica”, pontuou a procuradora.

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Para garantir a efetividade da medida, os procuradores deverão trabalhar para celebrar Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) com as prefeituras. Nos casos em que houver resistência ou omissão por parte dos administradores municipais na reparação dos gastos, o órgão vai entrar com ações na Justiça. A iniciativa reflete o compromisso do Ministério Público Federal em corrigir os descompassos orçamentários da educação brasileira.

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