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Queda da USP em ranking é “revés para imagem do Brasil”, diz especialista

Para voltar a ter destaque, instituições brasileiras precisam apostar na excelência, ampliar a colaboração internacional e a publicação de pesquisas em jornais consagrados

A queda da Universidade de São Paulo (USP) no ranking da publicação britânica Times Higher Education (THE), mais importante avaliação de instituições de nível superior do mundo, é um revés para a imagem do Brasil, afirma Elizabeth Gibney, especialista da THE que analisa o sistema educacional brasileiro. Na entrevista a seguir, ela detalha as razões da queda: redução em indicadores como reputação e proporção entre doutores e graduandos. Para voltar a ter destaque no ranking – a USP ocupou a 158º posição na lista do ano passado, passando a algum posto entre o 226º e o 250º lugares -, as instituições brasileiras precisam, na visão da especialista, apostar na excelência, ampliar a colaboração internacional e a publicação de pesquisas em jornais consagrados internacionalmente. “Um país com o tamanho e poder econômico do Brasil precisa ter mais universidades de nível global para o crescimento com base em inovação”, diz Elizabeth.

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Qual é o motivo da queda da USP? O desempenho da universidade caiu em muitos indicadores. É o caso da proporção entre doutores e alunos da graduação, um dos dados que usamos para descrever quão intenso é o conhecimento no ambiente de aprendizagem, além do número de doutorados premiados por equipe acadêmica, o que dá uma noção do comprometimento da instituição com a próxima geração de acadêmicos. O desempenho da USP nos indicadores de reputação também caiu.

Além da USP, a Unicamp também perdeu várias posições no ranking. Existe uma ligação entre a queda das duas universidades? As fraquezas da Unicamp são parecidas com as da USP, com o indicador de renda institucional por equipe acadêmica, o que dá uma noção ampla da infraestrutura disponível para os alunos. O Brasil evoluiu consideravelmente nos anos recentes, trabalhando duro para internacionalizar suas melhores instituições e pesquisas. Podemos estar diante de uma desaceleração natural, já que agora são necessários mais esforços para conseguir ganhos menores, enquanto outras universidades do mundo evoluem rapidamente.

Como a queda das universidades no ranking afeta a imagem do país? É um revés para a imagem do país e seu sistema educacional. Um país com o tamanho e poder econômico do Brasil precisa ter mais universidades de nível global para o crescimento com base em inovação.

O que o Brasil precisa fazer para galgar posições nos rankings? Possuir mais instituições de excelência elevará o nível do perfil do país como um todo. Ampliar a colaboração internacional e a publicação de pesquisas em jornais consagrados internacionalmente também ajudarão a melhorar a posição de instituições brasileiras nos rankings, bem como aumento do número de estudantes de doutorado. Investimento sustentável também é chave.

Um dos destaques deste ano é a decadência de várias universidades europeias. Qual é a razão disso? Os fundos para educação superior e pesquisa em muitos países da Europa enfrentaram dificuldades para acompanhar os de outros lugares no mundo, com o orçamento permanecendo estático em muitas nações. Então, o acirramento da competição empurra as melhores da Europa para baixo.

Enquanto a Europa desce, a China continua a crescer vertiginosamente nos rankings. Por quê? Duas das melhores universidades da China subiram nos rankings neste ano, com movimentação para cima e para baixo nas oito instituições fora do grupo das duzentas melhores. A posição da China nos rankings certamente evoluiu nos últimos anos, o que podemos atribuir aos esforços para aumentar os fundos para educação superior e pesquisa, particularmente dirigidos para instituições específicas de alto nível. As universidades chinesas têm se aberto cada vez mais para acadêmicos estrangeiros e colaboradores internacionais. Neste ano, de fato, a China mostrou progressos fortes nos indicadores de internacionalização.