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Quase metade dos coordenadores pedagógicos não conhecem o Ideb de sua escola

Quase metade dos coordenadores pedagógicos da rede pública brasileira desconhece o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de sua escola. É o que mostra uma pesquisa encomendada ao Ibope Inteligência pela Fundação Victor Civita. De acordo com o levantamento, 47% dos profissionais responsáveis por supervisionar as atividades relacionadas com o processo de ensino e aprendizagem ignoram a nota obtida pela instituição em que trabalham na avaliação do Ministério da Educação.

O Ideb foi criado em 2005, como parte do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), para medir a qualidade de cada escola e de cada rede de ensino. O índice utiliza escala de zero a dez pontos e é medido a cada dois anos. O objetivo é que o país, a partir do alcance das metas municipais e estaduais, chegue à nota seis em 2021. Somente 5,7% das escolas públicas brasileiras conseguiram alcançar essa nota no Ideb 2009.

Ainda segundo a pesquisa, os coordenadores apontam a falta de recursos e a infraestrutura precária, além do escasso envolvimento de pais e comunidades com a escola, como os maiores problemas enfrentados em seu trabalho. De acordo com os entrevistados, muitas vezes as escolas sofrem com falta de espaço, instalações inadequadas, falta de verba e de vagas. Os coordenadores têm, ainda, de lidar com a falta de material para uso dos alunos e professores.

Os profissionais ouvidos apontam também fatores externos, como a falta de segurança e os baixos salários recebidos pelos professores, como questões que atrapalham o bom funcionamento das escolas. Por essas razões, a maioria – 51% – dos coordenadores pedagógicos considera a qualidade do ensino básico no país apenas regular.

A pesquisa ouviu 400 coordenadores pedagógicos em 12 capitais brasileiras (Manaus, Belém, São Luís, Natal, Recife, Salvador, Brasília, Goiânia, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre) e no Distrito Federal. O objetivo do levantamento é traçar o perfil desses profissionais e sua relação com a educação. Os profissionais ouvidos pela pesquisa da Fundação Victor Civita coordenam escolas com 1.100 alunos, em média. Mais da metade (56%) dos entrevistados trabalha nos três turnos de aulas (manhã, tarde e noite). As mulheres representam 90% da categoria.