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Pais acusam professores de tradicional colégio do Rio de ‘marxistas’

Uma carta será entregue à direção do Colégio Santo Agostinho com críticas à adesão de docentes à greve nacional da educação, prevista para esta quarta-feira

Por Jana Sampaio - Atualizado em 15 maio 2019, 14h58 - Publicado em 14 maio 2019, 20h17

A polarização na política brasileira bateu às portas do Colégio Santo Agostinho, um dos mais tradicionais do Rio de Janeiro e que figura entre os mais bem colocados nos rankings do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O que motivou a polêmica, que invadiu as redes de WhatsApp de pais e virou crítica formal em uma carta à direção do colégio, foi a adesão de professores do Santo Agostinho à greve nacional da educação, marcada para esta quarta-feira, 15.

A previsão é que dezenas de escolas públicas e privadas, além de universidade federais e estaduais por todo o país, paralisem as aulas por um dia em protesto contra os cortes recentes de verbas na educação (o contingenciamento foi de mais de 7 bilhões de reais só nas universidades federais) e a reforma da Previdência.

Um grupo de pais de alunos do Santo Agostinho, no entanto, é contra a greve. Eles não querem que os filhos percam aula por um movimento que entendem como a expressão do “comunismo” sindical.

Um dos abertamente insatisfeitos é Eduardo Vieira, cujo filho estuda na unidade do Leblon, na Zona Sul carioca  – a sede do Santo Agostinho da Barra da Tijuca, na Zona Oeste, funcionará normalmente. Vieira escreveu uma carta em retaliação à greve, assinada por outros familiares de alunos, que será entregue amanhã à direção do colégio.

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O texto acusa a esquerda de “convocar o movimento para atacar o governo de Jair Bolsonaro” e arremata: “a submissão do corpo docente deste colégio ao sindicato dos professores, dominado pela ideologia marxista que é absolutamente contra o cristianismo e a luta contra todos os valores que um colégio católico defende, é uma lástima e um absurdo”.

Os professores do segundo ciclo do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, que decidiram aderir à greve, argumentam que “o avanço da reforma da Previdência defendida pela PEC 6/2019 representa uma ameaça não apenas a nós, enquanto trabalhadores brasileiros, mas aos nossos alunos, às famílias e à sociedade”.

Essa não é a primeira vez que pais do Colégio Santo Agostinho se levantam contra o que consideram ideologização do ensino. Em dezembro de 2018, como mostrou o site de VEJA, a direção da escola decidiu suspender a adoção do livro de ficção Meninos sem Pátria, de Luiz Puntel, indicado a alunos do sexto ano do ensino fundamental. A obra, lançada em 1981 e que está na 23ª edição, foi rechaçada por defender posições vistas como de esquerda. O romance trata de um jornalista do interior de São Paulo que, perseguido pela ditadura militar implantada em 1964, teve que fugir do país.

Procurado, o Santo Agostinho ainda não se manifestou sobre a polêmica em torno da greve de amanhã.

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