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O parágrafo mais difícil

Concluir a redação com alguma solução prática e concreta faz parte das normas de avaliação do Enem

Por Ana Beatriz Magno 28 set 2016, 18h05

Um bom texto e uma boa ideia na cabeça não vão se traduzir em nota alta na redação do Enem se não vierem acompanhados de uma conclusão prática e clara – esta, a exigência principal da temida “quinta competência” no rol de normas de avaliação previstas no edital do exame. É nela que está a cobrança de que o fecho da redação apresente solução para o problema desenvolvido ao longo do texto e indique como e por quem será executada, amarrando a narrativa de forma coerente e viável.

“Acho que só tirei nota boa porque meu professor trabalhou muito comigo a maneira de apresentar minha proposta de intervenção social”, diz Marcela Athayde, orgulhosa detentora de 920 pontos (em 1 000) na redação do Enem 2014. O professor Rafael Pina, do Colégio e Curso A a Z, do Rio de Janeiro, orienta seus alunos a apresentarem não só uma, mas duas soluções, ambas bem concretas. “Muitas vezes o aluno perde pontos porque propõe ideias inviáveis e desconectadas da narrativa inicial”, alerta Pina, ex-integrante da bancada de avaliadores de redação do exame. “O Enem quer coerência argumentativa. Fuja das soluções fantásticas”, resume.

Os textos abaixo são o último parágrafo de três propostas de intervenção social apresentadas em redações que tiraram nota 1 000. Seguem, todos eles, o padrão básico de identificação do problema, sugestão de medidas e conclusão bem amarrada, com citações que remetem a diversos campos de conhecimento. “Estudar as redações bem avaliadas ajuda muito a treinar esta habilidade”, recomenda Pina.

Lei Seca (2013)
“Pode-se notar, portando, que é necessário, ainda, ultrapassar diversos entraves para que a lei seja cumprida de forma plena. Para que isto ocorra, o governo deve criar um órgão fiscalizador que proíba e acabe com os aplicativos utilizados para localizar os postos de monitoramento. Além disso, necessita-se um maior controle por parte da polícia sobre os indivíduos que atuam no programa, punindo-os quando burlarem o sistema, aceitando suborno ou benefícios, por exemplo. E como tudo na vida o ideal é encontrar-se em homeostase, termo histórico usado para definir equilíbrio, neste caso é necessário encontrar o meio-termo do bom senso da população e eficiência do sistema.”
Amanda Reis de Carvalho, 18 anos

Publicidade Infantil (2014)
“…Torna-se evidente, portanto, que a questão da publicidade infantil exige medidas concretas, e não um belo discurso. É imperioso, nesse sentido, uma postura ativa do governo em relação à regulamentação da propaganda infantil, através da criação de leis de combate aos comerciais apelativos para as crianças. Além disso, o Estado deve estimular campanhas de alerta para o consumo moderado. Porém, uma transformação completa deve passar pelo sistema educacional, que em conjunto com o âmbito familiar pode realizar campanhas de conscientização por meio de aulas sobre ética e moral. Quem sabe, dessa forma, a sociedade possa tornar a geração infantil uma consumidora consciente do futuro, sem perder a pureza proposta pelo Movimento Romântico.”
Maria Eduarda Ilha, 18 anos

Violência Contra a Mulher (2015)
“…Entende-se, portanto, que a continuidade da violência contra a mulher na contemporaneidade é fruto da ainda fraca eficácia das leis e da permanência do machismo como intenso fato social. A fim de atenuar o problema, o Governo Federal deve elaborar um plano de implementação de novas delegacias especializadas nessa forma de agressão, aliado à esfera estadual e municipal do poder, principalmente nas áreas que mais necessitem, além de aplicar campanhas de abrangência nacional junto às emissoras abertas de televisão como forma de estímulo à denúncia desses crimes. Dessa forma, com base no equilíbrio proposto por Aristóteles, esse fato social será gradativamente minimizado no país.”
Raphael de Souza, 18 anos

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