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O drama dos que chegaram atrasados ao Enem 2011

Estudante correm, mas perdem a prova no Rio e em São Paulo. Pontualidade foi a primeira competência medida pela avaliação

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Não deu para Joana Cristina de Souza Martins, 26 anos. Ela pagou cursinho, estudou de forma séria, faltou ao plantão de técnica de enfermagem. Tudo para caprichar no Enem e conseguir uma bolsa na faculdade. Os últimos instantes foram os piores. Moradora do bairro Catumbi, próximo ao centro do Rio, ela saiu de casa e pegou o ônibus com antecedência, garante. Mas o trânsito complicado da avenida Presidente Vargas, perto da Sociedade Unificada de Ensino e Cultura (Suesc), onde faria prova, fez com que Joana perdesse tempo. Ela resolveu, então, descer em frente à Central do Brasil e correr. Foi aproximadamente 1 quilômetro de puro atletismo até a Praça da República, número 50.

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Apesar dos gritos de incentivo das pessoas que estavam em frente à Suesc, ela atingiu os portões, já fechados, às 13h01. “Poxa vida, por um minuto?”, reclamou para os fiscais. Um minuto que valeu um ano para Joana. Enem novamente, só em 2012. “Aprendi a lição. Tenho uma prova para servidora pública em novembro, vou chegar três horas antes”, desabafou, ainda nervosa.

Minutos antes das 13h, parecia que mais pessoas fariam companhia a Joana. A fila para os elevadores que levam do 11o. ao 17o. andares do prédio da Suesc dobrava a esquina do lado de fora da construção. Os fiscais começaram a gritar avisando que os portões seriam fechados. O clima ficou tenso.

Uma das últimas da fila, Nathalia Fernandes, de 17 anos, tinha que chegar ao 13o. andar. Ela já olhava para o acesso às escadas quando a fila do elevador voltou a andar rapidamente e ela atravessou os portões para o seu segundo Enem. Ela tenta pontuar para o curso de design de interiores. Não teve tanto juízo, mas certamente teve mais sorte do que Joana. “Foi o trânsito. Mas, na verdade, saí meio tarde mesmo”, disse ao entrar.

Depois, sem fila, foi correria mesmo. “Vai fechar, vai fechar!”, alertavam os fiscais enquanto dezenas testavam o fôlego antes de testar o conhecimento. Quando parecia que ninguém mais apareceria, Joana dobrou a esquina em uma já desnecessária correria.

São Paulo – Na Zone Oeste da capital, uma confusão impediu que dezenas de candidatos entrassem no prédio de uma universidade particular onde a prova está sendo aplicada. O campus conta com quatro prédios com diferentes entradas, mas o ingresso dos participantes só poderia ser feito pelo portão principal. Fabíola Souza, que veio de Osasco, chegou três minutos antes das 13h, mas se dirigiu à portaria errada e perdeu a avaliação. “Quando cheguei ao portão principal, já era tarde”, contou a jovem. “Perdi a chance de entrar na universidade.”

Carina Barreto, que veio de Parada de Taipas, na Zona Oeste, enfrentou o mesmo problema. “Em um trajeto que normalmente levo 40 minutos, hoje demorei quase duas horas”, disse a estudante. “Cheguei em cima da hora e fui para a portaria errada. Perdi o Enem por um minuto.” Mesmo desclassificada, ela permaneceu em frente ao local de prova. “Não vão reabrir os portões, mas vou esperar mais um pouco aqui.”

Gildeane Lopes contou que enfrentou muito trânsito. “Os terminais de ônibus estavam lotados. O transporte público estava carregado de participantes do Enem. Isso atrasou minha viagem”, disse, desolada. “Ao chegar aqui, ainda me dirigi à entrada errada. É muita confusão para um dia só.”

Bruno da Silva não errou a portaria, mas chegou tarde demais. Às 13h01, encontrou os portões fechados. “Perdi um ano inteiro de preparação. Estou concluindo o ensino médio e o Enem era a minha única oportunidade de entrar na universidade. Não me inscrevi em nenhum outro vestibular”, relata.

Bruno saiu de casa, na Vila Brasilândia, na Zona Norte, 1 hora e 20 minutos antes da prova. “Geralmente, demoro 30 minutos para percorrer essa distância. Hoje, levei mais de uma hora.” Mesmo sabendo que já não tem chances de disputar uma vaga no Sistema de Selação Unificada (SiSU), vai voltar no domingo para a segunda etapa da prova. “Vou sair de casa às 10h. Quem sabe chego a tempo do exame.”

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