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MEC lança guia sobre a redação do Enem 2012

Manual traz redações de candidatos que conseguiram nota máxima em 2011. Saiba quais são as mudanças na correção do texto

O governo federal lançou, nesta segunda-feira, um guia de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2012. Com 48 páginas, ele traz informações sobre os novos critérios de correção do texto da prova (confira as tabelas) além de dissertações de participantes da edição anterior que atingiram a nota máxima (1.000 pontos), comentadas por professores. É a primeira vez que um documento voltado somente à redação é publicado.

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Segundo informações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o guia teve tiragem de 1.700.000 cópias, destinadas a escolas públicas, e está disponível também na internet. A redação do Enem se propõe a avaliar cinco competências dos estudantes, entre elas domínio da norma padrão da língua portuguesa, compreensão da proposta e argumentação (confira todas as competências na tabela).

Para professores ouvidos pelo site de VEJA, as alterações – como redução da margem de discrepância entre corretores de 300 para 200 pontos – são benéficas e necessárias. Contudo, ainda precisam ser aprimoradas. Vivian D’Ângelo Carreira, professora de gramática e redação do Cursinho do XI, considera necessário um melhor detalhamento de como cada item é avaliado. Ela utiliza como exemplo a competência I, que avalia o domínio da norma padrão da língua escrita. “Neste caso, olham de forma geral se o aluno errou muito ou errou pouco; ou há um determinado número de pontos para cada erro gramatical?”, questiona. “Os critérios do Enem são muito subjetivos”, considera.

O professor Francisco Platão Savioli, supervisor de português do Sistema Anglo de Ensino, sugere a compilação de amostras de redações para o esclarecimento de eventuais dúvidas. Um bom exemplo é o desvio do tema proposto: “Fuga do tema é zero na redação, mas há alunos que cometem fugas parciais e umas são mais graves que outras. Com a análise de uma amostra de 100 redações, por exemplo, poderíamos estabelecer critérios que fossem atribuíveis a outros casos similares”, diz.

Savioli também destaca a importância do treinamento dos profissionais que irão corrigir as redações. “Uma equipe bem treinada evita distorções na nota. Tem professor que considera menos grave erro de acento, crase ou vírgula e analisa o texto pela articulação do pensamento e relação dialógica. Já outros são mais rigorosos com o português. É preciso alinhar todos os posicionamentos”, afirma. Segundo o Inep, 4.200 pessoas estão sendo capacitadas para se adequarem às novas exigências.

As provas do Enem serão realizadas nos dias 3 e 4 de novembro. No primeiro dia, os participantes terão quatro horas e meia para fazer as provas de ciências humanas e da natureza. Já no segundo dia, os alunos têm cinco horas e meia para fazer a redação e responder a questões de matemática e linguagens.

Confira quais são as mudanças na correção do Enem:

Como será feita a correção da redação do Enem 2012

Passo 1 O primeiro avaliador atribui uma nota para cada uma das cinco competências exigidas pelo MEC. Cada competência vale 200 pontos e, portanto, a nota total do aluno pode variar de 0 a 1.000 pontos. Passo 2 O segundo avaliador repete o processo do primeiro e atribui também uma nota de 0 a 1.000 à redação. Se houver concordância, a nota final será a média aritimética das duas notas. Desempate Caso haja uma discrepância de 200 pontos entre as duas notas – ou uma diferença de 80 pontos em cada uma das competências avaliadas – um terceiro avaliador é convocado. Até 2011, a margem de diferença era de 300 pontos. Passo 3 O terceiro avaliador analisa a redação e atribui a ela uma nota entre 0 e 1.000 pontos. Caso não haja discrepância entre o terceiro e pelo um dos outros avaliadores, a nota final será a média aritimética das duas notas que mais se aproximarem. Desempate Caso persista a diferença de 200 pontos entre os três avaliadores anteriores, uma banca composta por três outros corretores será convocada. Passo 4 Após a avaliação dos três integrantes, uma nova final será atribuída ao candidato.

Competências avaliadas no texto

Número 1 Demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita. Número 2 Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. Número 3 Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. Número 4 Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. Número 5 Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

As razões da nota zero

Razão 1 Não atender a proposta solicitada ou apresentar outra estrutura textual que não seja a do tipo dissertativo-argumentativo, o que configurará “fuga ao tema/não atendimento ao tipo textual”. Razão 2 Deixar a folha de redação em branco. Razão 3 Escrever menos de sete linhas na folha de redação, o que configurará “texto insuficiente”. Linhas com cópias do texto de apoio fornecido no caderno de questões não serão consideradas na contagem do número mínimo de linhas. Razão 4 Escrever impropérios, fazer desenhos e outras formas propositais de anulação.