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Mais brasileiros com diploma do ensino superior

A proporção daquelas com nível superior completo aumentou 2,5 pontos porcentuais de 2004 para 2009

Dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam que o nível de instrução da população vem aumentando nos últimos anos. A parcela de pessoas com 25 anos ou mais que completou o nível superior aumentou 2,5 pontos porcentuais entre 2004 e 2009, atingindo 10,6% daquele universo total. Também cresceu o contingente dos que concluíram o ensino médio, passando de 18,4% para 23% no mesmo período.

O aumento registrado pode ser em parte creditado à quase universalização do ensino fundamental no Brasil. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Pnad 2009, o porcentual de crianças entre 6 e 14 anos que frequentam a escola passou de 96,1%, em 2004, para 97,6%, em 2009. No ensino médio, a proporção dos jovens de 15 a 17 anos que frequentavam a escola atingiu 85,2%.

Uma vez na instituição, a tendência é que as crianças concluam o ensino básico e tenham mais acesso ao superior, afirma o professor José Dias Sobrinho, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Existe uma pressão de baixo para cima”.

A universalização da educação fundamental, porém, não explica sozinha a evolução acadêmcia do brasileiro. O aumento da classe média e do poder aquisitivo da população também impulsionam as taxas do Pnad. “Com o mercado de trabalho cada vez mais exigente e com renda maior, o brasileiro busca o ensino superior”, afirma Sobrinho.

O mercado educacional mostra que o aumento da procura foi acompanhado pelo crescimento da oferta. Dados da agência Talent mostram que no ano 2000 haviam no país pouco mais de 1.100 instituições de ensino superior. Em 2010, esse número saltou para mais de 3.000 – a maioria, privadas. Segundo o Pnad, no ensino superior, a rede particular atendeu 76,6% dos estudantes em 2009.

Cautela – Apesar do quadro animador, o dado deve ser visto com cautela. Isso porque o dado da Pnad analisa a situação acadêmica dos brasileiros com 25 anos ou mais de idade. Ou seja, entram no cálculo, brasileiros de 60, 70 e 80 anos – que, em geral, atingiram patamares de estudo mais baixos. É justamente essa população que tende a desaparecer das estatísticas ano após ano por uma razão natural: o óbito. Então, a cada vez que se confrontam os dados, é esperado que as estatísticas sobre escolaridade subam. É esse o raciocínio de Cláudio de Moura Castro, especialista em educação e colunista de VEJA

“À medida que os mais velhos vão morrendo, os índices de escolaridade aumentam. Por isso, o Pnad não pode ser considerado como uma avaliação das políticas educacionais recentes, mas apenas um reflexo do déficit educacional histórico brasileiro”, pontua Castro.

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