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Ideb 2025: ganhos em anos iniciais caem pela metade no fim do ciclo Fundamental

Defasagem se deve a problemas estruturais, destacam especialistas

Por Ricardo Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 ago 2026, 17h00
Ideb 2025: ganhos em anos iniciais caem pela metade no fim do ciclo Fundamental Priorizar nos meus resultados Google

Os números do Indice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025, divulgados nesta semana, revelam uma dinâmica emblemática sobre a dificuldade em fazer o ensino avançar no Brasil. O rendimento dos alunos que terminam o Ensino Fundamental 1 – que corresponde ao quinto ano – na a maioria dos municípios brasileiros já bateu a meta de qualidade estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE). Mas essa conquista praticamente evapora quando as mesmas crianças chegam ao nono ano, o último do Fundamental 2.

Segundo o levantamento, 61,2% dos municípios  — o equivalente a 3 256 cidades — atingiram a meta do PNE para os anos iniciais na rede municipal. Quando a mesma régua é aplicada aos anos finais, cuja responsabilidade costuma ser dividida com os estados, o índice despenca para 31,3%, ou 1 720 municípios. Na prática, a proporção de localidades aprovadas cai quase pela metade de uma etapa para a outra.

O recado dos números é direto: há problemas estruturais que travam o avanço do desempenho nas salas de aula. “Quando os estudantes não aprendem conhecimento muito básicos, eles vão carregando essas defasagens, que se manifestam na etapa seguinte”, aponta Daniela Caldeirinha, vice-presidente de relações institucionais da fundação Lemann. “É justamente nesse momento que ocorre uma mudança muito grande na dinâmica da escola, quando os alunos passam a ter aulas com professores especialistas, por disciplina”.

Cruzando os resultados das duas etapas, os dados escancaram o tamanho do desafio da transição escolar. Apenas 1 522 municípios conseguiram bater a meta nas duas pontas simultaneamente — um grupo relativamente pequeno de “alunos exemplares” do sistema. Só 93 municípios falharam nos anos iniciais, mas conseguiram se recuperar e atingir a meta nos anos finais, evidenciando o quanto é difícil avançar sem construir uma base sólida.

 Para especialistas em educação, esse é o retrato mais nítido de onde o sistema educacional brasileiro precisa concentrar esforços, não apenas na alfabetização, que já mostra sinais de avanço consistente, mas sobretudo na passagem dos alunos para os últimos anos do fundamental, quando o número de professores por turma aumenta, o conteúdo se fragmenta por disciplina e a evasão começa a aparecer no radar.

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“A adolescência abre uma janela de aprendizagem brutal, só comparada com o início da primeira infância. Mas isso vem acompanhado de muitas outras mudanças, no corpo e nos interesses e a escola precisa construir um ambiente capaz de engajar esse estudante”, diz Caldeirinha.

Resultados por estados

Em 14 estados brasileiros, menos de 10% dos municípios conseguiram atingir a meta dos anos finais, um sinal de que a dificuldade nessa etapa não é um problema pontual, mas estrutural e generalizado pelo país.

Quando os dados são abertos por estado, o Paraná desponta como o grande destaque nacional: lidera o ranking tanto nos anos iniciais (96% dos municípios batendo a meta, empatado com o Espírito Santo) quanto nos anos finais (81%), com folga sobre o segundo colocado.

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Nos anos iniciais, São Paulo (92%) e Santa Catarina (89%) completam o pelotão de frente. Já nos anos finais, o cenário é mais heterogêneo e mais preocupante: depois do Paraná, aparecem Goiás (64%) e Ceará (61%) — e, a partir daí, uma queda abrupta.

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