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Habitação estudantil da USP registra 4 casos de violência contra mulher ao ano

Em doze anos, 49 mulheres registraram queixas de agressão e estupro

Por Da Redação - 28 nov 2014, 12h01

Ao menos quatro reclamações de violência contra mulher no Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (Crusp) são registradas por ano. Dados da Superintendência de Assistência Social (SAS), órgão da instituição responsável pelas moradias, mostraram que 49 mulheres registraram queixas de agressão nos últimos doze anos.

As denúncias foram feitas por meio do projeto SOS Mulher. Criado em 2000, o programa atende moradoras do Crusp que sofreram qualquer tipo de violência, incluindo agressão e estupro, e também presta atendimento a outras mulheres vinculada à USP, mesmo que não sejam moradoras da habitação estudantil. Dentre os relatos, o perfil dominante foi de mulheres entre 17 e 32 anos. Os casos são atendidos por um dos 35 agentes comunitários que atuam no entorno do Crusp. Quando há alguma ocorrência, o caso é encaminhado para a SAS, que pode abrir sindicância.

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Quando uma vítima procura o SOS Mulher, é orientada a ir até a delegacia da mulher e registrar um boletim de ocorrência. A estudante é acompanhada por assistentes sociais e psicólogos e pode ser encaminhada para um hospital. Segundo a assistente social Neusa Franzoi, uma das responsáveis pelo programa, além do acolhimento, são realizados seminários para discutir a violência doméstica.

Violência na Faculdade de Medicina – No último dia 12, o Ministério Público Estadual (MPE) instaurou inquérito para investigar oito casos de violência sexual e outras denúncias de agressão às mulheres e homossexuais na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). De acordo com as vítimas, os abusos acontecem há anos na instituição. Segundo o inquérito, as vítimas não receberam “qualquer suporte da diretoria”, que deixou de dar prosseguimento a procedimentos administrativos de apuração.

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Nesta semana, o diretor da FMUSP, José Otavio Costa Auler Junior, afirmou que a universidade tomou conhecimento de apenas quatro casos, sendo três de estupro e um de racismo. Em entrevista coletiva, ele declarou que “espera que as mulheres que estão denunciando os abusos tenham a hombridade e a honestidade de ir até à direção do curso para formalizar a denúncia”. Ainda segundo o diretor da faculdade, apenas as queixas que forem feitas na direção do curso serão investigadas.

Na mesma ocasião, Auler Junior anunciou a decisão da Congregação da faculdade de cancelar as festas no campus por tempo indeterminado. O consumo de álcool também foi vetado. O anúncio contraria a declaração feita pelo professor Milton Martins, presidente da comissão de direitos humanos da faculdade, que havia afirmado que a instituição não tinha a intenção de banir festas no campus, apenas restringir o consumo de bebidas destiladas nos eventos.

(Com Estadão Conteúdo)

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