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Equação bem-sucedida: como o Paraná virou modelo nacional de qualidade de ensino

Ao investir em medidas como bônus aos professores, combate à reprovação e alfabetização na idade certa, o estado mostra estratégias eficazes

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 ago 2026, 08h00 | Atualizado em 19 ago 2026, 15h21
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O principal termômetro para medir a qualidade do ensino no Brasil, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado na semana passada, traz resultados incômodos e constrangedores. O país tem sido incapaz de oferecer a proficiência desejada em um mundo cada vez mais competitivo. Os 46 milhões de estudantes da creche ao terceiro ano do ensino médio saem despreparados dos bancos escolares. Na faixa etária avaliada, houve avanços em relação a 2023, mas insuficientes para autorizar celebração. Em uma escala que vai de 1 a 10, o indicador chegou a 6,3 nos anos iniciais do ensino fundamental, 5,3 nos anos finais e 4,5 no médio. Há três anos, os patamares foram de 6,0, 5,0 e 4,3, respectivamente. Considerando apenas a rede pública, o Ideb de 2025 ficou em 6,1 nos anos iniciais, 5,0 nos anos finais e 4,3 na derradeira fase.

Há, contudo, ventos de esperança que vêm do sul: o Paraná lidera o ranking nas três categorias aferidas pelo Ministério da Educação (veja o quadro). Nem sempre foi assim. Há quinze anos, o estado, um dos mais ricos e com menos desigualdade social, se mantinha entre os cinco mais bem colocados, mas longe do pódio. De lá para cá, os gestores paranaenses desenvolveram estratégias de modo a mirar a alfabetização na idade certa, o combate à reprovação e a permanência dos alunos na escola. Resultado: uma curva ascendente cuja trajetória foi interrompida apenas pelos anos da pandemia de covid-19 — fator que prejudicou todas as redes educacionais do planeta. Na ponta do lápis, a performance paranaense em língua portuguesa na primeira etapa do ensino fundamental registrou um salto de 17,5%, ganhos acompanhados em menor grau pelos outros ciclos. Em matemática, subiu 13%. “O sucesso decorre de um trabalho de longa data das escolas e dos docentes, pautados por uma tradição histórica de valorização dos conteúdos e do conhecimento”, diz Ana Lorena de Oliveira Bruel, professora de educação da UFPR.

GOVERNANÇA - Escola no Reino Unido: gestão administrativa privatizada
GOVERNANÇA - Escola no Reino Unido: gestão administrativa privatizada (Anthony Devlin/Getty Images)

Por trás dos números está um conjunto de decisões que reorganizaram o sistema de ponta a ponta. Entre o primeiro e o quinto ano, a diferença se dá na permanência do aluno na sala de aula. A rede municipal tem 55% dos estudantes matriculados em período integral, mais que o dobro da média nacional, de 23%. Um programa de busca ativa que bate na porta das famílias cujos filhos têm faltas recorrentes também registra impacto positivo. As políticas educacionais fizeram Curitiba se tornar a capital com a menor distorção entre a idade dos alunos e a série que eles cursam e com as melhores instituições de ensino, na média, do Brasil — quatro unidades estão no top 10. “Atingir nota 7 no Ideb foi muito difícil, e tornou o desafio da melhoria ainda maior. Estamos buscando inovar com novas tecnologias, sem fazer mais do mesmo”, diz o secretário municipal de Educação, Paulo Afonso Schmidt, destacando a implantação da disciplina de robótica e a compra de kits equipados com óculos digitais e impressoras 3D.

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Garantir a progressão do aprendizado sem lacunas é uma das muitas obviedades que nem sempre são postas em prática pelas secretarias de Educação. Para evitar a mazela, o governo do Paraná firmou uma aliança com a Fundação Lemann para impulsionar o domínio da leitura e da escrita. “Sem aprender a ler, a criança não consegue, mais tarde, ler para aprender”, afirma Felipe Proto, vice-presidente de educação da Lemann. Na prática, a nova visão se traduziu em maior unificação do currículo, livros didáticos padronizados e avaliações trimestrais em toda a rede. Aulas de reforço para estudantes em anos finais do fundamental e do médio, com conteúdo específico para as dificuldades mais frequentes, passaram a ser aplicadas no contraturno.

Infográfico No Topo do Pódio mostra o Paraná em primeiro lugar na educação básica com notas 7,0 (anos iniciais), 5,9 (anos finais) e 5,1 (ensino médio). Ceará e Santa Catarina aparecem em seguida com notas ligeiramente menores. Fonte: Inep

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O diagnóstico é feito com auxílio de um aplicativo que, em apenas 24 horas, aponta quais matérias merecem horas suplementares. “Classificamos os alunos em quatro níveis e organizamos grupos de trabalho dentro da sala de aula para oferecer atividades diferenciadas”, diz Neusa Kuhn, diretora do Santa Rosa do Ocoí, colégio de São Miguel do Iguaçu, a 600 quilômetros da capital, dono da segunda maior nota do estado no ensino médio.

Um incentivo fundamental para melhorar o rendimento é financeiro: bônus de 3 000 reais para docentes que atingem as metas do Ideb, além de gratificações mensais a diretores conforme frequência e aprendizagem dos alunos. Algumas das ideias vieram de programas que já estavam dando certo no exterior. “Na Inglaterra, encontrei inspiração num modelo que transfere a gestão administrativa de determinadas unidades para empresas privadas, deixando diretores e equipes mais concentrados na condução pedagógica”, afirma o secretário estadual de Educação, Roni Miranda Vieira. Os evidentes avanços, no entanto, revelam apenas a rota a seguir em uma longa trajetória. As notas ainda estão no nível 3 de uma escala que vai até 8, o que significa que os estudantes não conseguem identificar argumentos centrais em textos, resolver um sistema de equações lineares ou calcular probabilidades. Que o caminho da excelência seja trilhado e que ele seja seguido pelo resto do país. A estrada é longa, mas o Paraná é um bom exemplo a seguir.

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Publicado em VEJA de 14 de agosto de 2026, edição nº 3008

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