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Diretor da USP Leste é afastado após unidade ser autuada pela Cetesb

Campus não cumpriu exigências de despoluição do solo, que oferece risco à saúde de alunos e funcionários

Reunião aberta da Congregação da Universidade de São Paulo (USP) Leste decidiu nesta quarta-feira afastar o diretor da unidade, José Jorge Boueri Filho. O argumento é que ele não pode ficar no cargo enquanto são apuradas as responsabilidades sobre a situação ambiental do campus. A unidade não cumpriu exigências de controle e despoluição do solo, que tem metano, um gás inflamável, e foi autuada pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb).

A infração e a colocação de placas no campus – que informavam a interdição de uma área por haver “contaminantes com riscos à saúde” – fizeram com que os professores decretassem greve nessa terça-feira. Alunos ficaram assustados e fotos das placas correram as redes sociais.

Ficou decidido que uma nova eleição para diretor será realizada em um mês. Por enquanto, o diretor interino é o professor Luiz Silveira Menna Barreto, o mais antigo da unidade. A decisão pelo afastamento, entretanto, precisa ser oficializada em novo encontro da congregação, na semana que vem. Isso é necessário pelo fato de a reunião ter sido aberta ao público, o que a princípio não é previsto no regulamento. Participaram do encontro cerca de 400 pessoas. Alunos e funcionários aderiram à greve.

O diretor foi cobrado por estudantes porque foi responsável pelo despejo de terra de origem desconhecida no campo central do campus, em 2011. Exames técnicos mostraram que a terra era contaminada. A remoção do solo é uma das ações não atendidas pela USP.

Segundo a direção da unidade, as exigências ambientais deveriam ser realizadas pela Superintendência de Espaço Físico (SEF), ligada à reitoria da USP e que instalou as placas. Toda a área ocupada pela unidade, que está na várzea do Rio Tietê, tem solo poluído. Entre as exigências da Cetesb, há a comprovação de instalação de sistema de extração de gases de todos os prédios, avaliações de risco à saúde, além de investigação ambiental detalhada. A Cetesb deu 60 dias para a USP atender à advertência.

Alunos promoveram uma manifestação no campus, utilizando máscaras. A aluna de ciências da natureza Lorena Nakashima, de 25 anos, aprovou o afastamento do diretor. “Ele deveria saber da situação do campus, isso ocorre há tantos anos”, disse.

O diretor foi procurado, mas não atendeu aos pedidos de entrevista. A Cetesb informou que não considera o local sob risco à saúde. Os professores se encontrarão nesta quinta-feira com integrantes do órgão.

(Com Estadão Conteúdo)