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Cristiane ensina inglês — e empatia — aos seus alunos de Criciúma

Uma das vencedoras do Prêmio Educador Nota 10 aproveitou a chegada de imigrantes à cidade catarinense para estimular a interação e a tolerância entre alunos

“Por que tenho de aprender inglês se moro no Brasil?” A catarinense Cristiane Dias, de 40 anos, se acostumou a receber este tipo de questionamento em seus 18 anos ensinando a chamada “língua universal” na cidade de Criciúma (SC). “Eu sempre respondo que assim eles podem se tornar cidadãos do mundo sem nem sequer precisar sair da cidade”, diz Cris. Há quatro anos, com a chegada de imigrantes haitianos e ganeses ao município de pouco mais de 130.000 habitantes, a professora encontrou novos motivos para estimular sua turma no colégio Maria José Hulse Peixoto e ainda ensinar lições importantes sobre tolerância e respeito.

Ao ver os imigrantes com dificuldade de se orientar pela cidade e sendo maltratados por alguns moradores, decidiu montar uma espécie de guia, com instruções e palavras como “padaria” e “farmácia”, para que seus alunos de 12 a 15 anos pudessem ajudá-los. “Tento estimular a comunicação. Pedir e dar informação é um exercício de empatia.” Ela fez questão de lembrar à turma que todos na sala também têm raízes estrangeiras, já que a região se desenvolveu com a imigração de italianos e alemães no século passado.

“Fiz um levantamento do sobrenome deles, que remetem às origens de colonização da cidade, e falei sobre o alto número de criciumenses que vão morar fora do Brasil. Ou seja, nós também podemos ser imigrantes e por isso devemos ter empatia. Essas pessoas estão buscando em outro lugar o que não encontram no país deles. E como gostaríamos de ser tratados? Esse é a reflexão que incentivo”, diz.

Atenta à realidade dos adolescentes de hoje em dia, Cristiane fez uso de aplicativos e pediu que fossem gravadas simulações de diálogo. Com o projeto We Speak The Same Language, Cristiane conquistou um lugar entre os dez melhores professores do ano pelo Prêmio Educador Nota 10, promovido pelas fundações Victor Civita e Roberto Marinho. Ela agora tem a chance de ser vencedora do título Educador do Ano na cerimônia que acontece no dia 1º de outubro, em São Paulo.