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Crise financeira na USP congela obras e bloqueia contratações

Núcleos de pesquisa estão com orçamentos limitados; investimentos em pesquisa, obras e manutenção estão parados

Por Da Redação 15 fev 2014, 09h53

O novo reitor da Universidade de São Paulo (USP), Marco Antonio Zago, congelou até abril novas contratações e início de obras. O orçamento de um programa de pesquisa de financiamento próprio também foi reduzido neste início de ano. O motivo é a crise financeira que a universidade enfrenta: a USP fechou o ano passado com todo o orçamento comprometido com pagamento de pessoal.

A USP tem recorrido às reservas financeiras para manter as contas em dia. Dados extraoficiais apontam que universidade utilizou um bilhão de reais do total de três bilhões que possuía. O orçamento para este ano ainda será definido no dia 25 deste mês, mas o reitor já admitiu que a situação será constantemente reavaliada. O congelamento de contratações e novas obras por no mínimo dois meses foi decidido no último dia 4. Por ser uma instituição pública, a universidade não pode demitir servidores para cortar gastos. Mas Zago já determinou que todas as contratações, seja de professores ou funcionários, estão suspensas.

Estava prevista, por exemplo, a construção de novos prédios para o Museu de Arte Contemporânea, Instituto de Estudos Avançados e Núcleo de Estudos da Violência, além de melhorias em faculdades e manutenção de laboratórios. Todos os recursos para esses investimentos foram suspensos.

A crise atinge também uma das iniciativas mais elogiadas da gestão passada, os Núcleos de Apoio à Pesquisa (NAPs). Desde 2011, foram criados 43 grupos e, segundo a universidade, foi a primeira vez que a própria instituição investiu recursos próprios na pesquisa. Tradicionalmente, quem financia a ciência na universidade são agências de fomento, como a Fapesp, CNPq e a Finep.

Os NAPs estão dentro do Programa de Incentivo à Pesquisa da USP. Os projetos envolveram até agora um total de recursos de 146 milhões de reais.

Bolsistas temem perder seus benefícios e ter de abandonar os estudos. “Estamos completamente sem rumo e os bolsistas não sabem se vão receber”, diz Mariana Botta, pesquisadora de um dos oito núcleos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH).

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Em comunicado encaminhado aos núcleos o Departamento de Finanças da universidade indica que “foi autorizada a liberação de 6% dos recursos da economia orçamentária e da receita própria das unidades”. Assim, o tamanho do corte depende de cada núcleo. Questionada, a reitoria informou que a regra só vale para fevereiro, enquanto o orçamento de 2014 não é definido. Pesquisadores, no entanto, dão como certo o corte nos orçamentos dos NAPs.

O novo pró-reitor de Pesquisa da USP, José Eduardo Krieger, disse que a decisão de a USP investir diretamente em pesquisa foi “fundamental”, mas aponta o desafio de lidar com o custo excessivo da administração. “Nós, gestores, não estamos satisfeitos e queremos cada vez mais profissionalismo para a área”, disse Krieger, na última terça-feira, durante o anúncio da nova equipe de gestão da universidade.

No ano passado, o orçamento da USP foi de 4,3 bilhões de reais. As universidades estaduais (USP, Unicamp e Unesp) são financiadas com uma parcela fixa do Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços (ICMS).

(Com Estadão Conteúdo)

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