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Como funciona o SAT, o ‘Enem americano’?

Exame que garante o ingresso nas universidades dos Estados Unidos pode trazer ensinamentos para a prova brasileira

Por Nathalia Goulart 14 nov 2010, 14h28

Na última segunda-feira, em meio a explicações sobre os problemas ocorridos durante a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) o ministro da Educação, Fernando Haddad, citou avaliações estrangeiras para justificar sua decisão de aplicar uma nova prova apenas para os estudantes prejudicados pelo erro de impressão nas folhas de perguntas e respostas do Enem. Uma delas é o Scholastic Assessment Test (SAT, Teste de Avaliação Escolar), cuja realização é obrigatória para o ingresso em universidades dos Estados Unidos. Em comum com o Enem, o exame utiliza a Teoria de Resposta ao Item (TRI), método que permite que provas diferentes, com o mesmo grau de dificuldade, sejam aplicadas em datas distintas, sem prejuízo ou benefício aos candidatos – daí a comparação de Haddad. As semelhanças, entretanto, param por aí.

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Alguns fatores explicam o sucesso do SAT e podem servir de lição ao Brasil. O primeiro deles é o modelo descentralizado da prova americana, que só é possível graças à TRI. Ao todo, cerca de 2 milhões de americanos realizam o exame a cada ano, mas em sete datas distintas, distribuídas durante os doze meses. “As datas mais procuradas – maio, outubro e novembro – contam com cerca de 500.000 candidatos”, diz Thomas Ewing, relações públicas do Educational Testing Service (ETS), associação sem fins lucrativos que elabora, aplica e corrige o SAT e também o exame de proficiência em língua inglesa Toefl. A realização do exame em várias datas traz uma grande vantagem para o aluno, que não depende de uma data exclusiva para fazer o exame: se não se sair bem em uma edição ou adoecer, pode optar por nova data, poucos meses depois.

Outro trunfo do SAT é a aplicação de provas distintas simultaneamente. Ou seja, nos dias de exame, não circula pelo território americano apenas uma série de questões, mas diversas. A consequência disso é que apenas grupos de poucos alunos respondem exatamente às mesmas questões. “Num dia típico de SAT, existem muitas provas distintas sendo aplicadas. Por questões de segurança, não podemos revelar quantas são”, diz Ewing. Além de coibir a “cola”, a estratégia tem por objetivo evitar outro mal – que atingiu o Enem no passado: o furto de provas. Uma vez que que não existe uma prova para todo o país, cai o interesse dos criminosos pela informação privilegiada – ou melhor, pelo roubo da prova.

No Enem, as cores das provas variam e, com elas, a ordem das questões. Mas as perguntas são iguais para todos. Para Ricardo Ferreira, especialista em concursos públicos, a estratégia usada pelo Inep, responsável pela avaliação, é eficaz, mas poderia ser aperfeiçoada. “Ela seria ainda mais segura se o aluno não soubesse exatamente qual modelo de prova tem nas mãos, para restringir ainda mais seu conhecimento do exame. Esse deveria ser um controle exclusivo do órgão corretor”, afirma.

Segurança – Não é só a elaboração da prova que faz do SAT um exame exitoso. Outras etapas são rigorosamente acompanhadas para garantir o bom funcionamento da avaliação. Na gráfica, terceirizada, um profissional do ETS é o responsável pela certificação da qualidade das provas impressas – a organização do Enem também prevê essa providência, que, como visto, falhou neste ano. Uma vez prontas, as provas são numeradas, embaladas a vácuo e transportadas em caixas lacradas. “Levamos o exame muito a sério. Existe comprometimento por parte de todos os envolvidos”, diz Ewing.

Apesar de mais de mais de um século de experiência – o SAT é aplicado desde 1901 -, o exame não está livre de alguns tropeços. O mais recente aconteceu em 2005. A falha ocorreu na leitura dos cartões de respostas de mais de 4.400 candidatos, que obtiveram notas menores do que deveriam. O erro foi corrigido, e os alunos, indenizados. Além disso, eles tiveram a oportunidade de realizar outro exame.

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