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Atenção, vestibulando: organize-se e fuja da ‘setembrite’

Faltando poucos meses para provas, é possível evitar o stress pré-vestibular criando rotina de estudos – que deve incluir momentos de lazer. Saiba como

Por Carolina Farina Atualizado em 24 Maio 2016, 17h05 - Publicado em 8 jul 2011, 22h51

“O aluno deve estudar o maior tempo possível, mas respeitando os limites do corpo. Não é recomendável mergulhar nos livros até de madrugada”

Alberto Francisco do Nascimento, coordenador do Anglo Vestibulares

Faltam quatro meses para o início da maratona de vestibulares do país. Para alguns candidatos, parece haver tempo de sobra para colocar em dia todo o conteúdo cobrado nos exames. Não é bem assim. Deixar os estudos para a última hora prejudica, é claro, o rendimento na prova e pode levar o vestibulando ao clássico quadro de stress pré-vestibular, tão conhecido que já ganhou um nome próprio: “setembrite”. O mal acomete estudantes nos meses de setembro e outubro, período em que são realizadas inscrições e provas das principais instituições de ensino superior. Juliana Queiróz, de 20 anos, que enfrentará neste ano seu quarto vestibular, sabe bem o que é sofrer do problema. “A outubrite acaba com a gente. A gastrite ataca, bate o nervosismo”, diz a estudante, candidata a uma vaga de medicina.

Faltando de três a quatro meses para a temporada de inscrições e provas, ainda há tempo para correções de rota – e comportamento. Para fugir da setembrite (ou outubrite) – evitando efeitos colaterais como olheiras gigantes, brigas com pais, irmão e namorados -, a solução é planejamento, apostam os especialistas. Ou seja: programar o quê, como e quando estudar. O planejamento traz ainda um bônus: garante ao candidato tempo e disposição para manter uma rotina saudável, com momentos para o lazer e o relaxamento.

É exatamente o que faz Lucas Gil, de 18 anos, candidato a uma vaga de engenheiro de produção. Desde o início do ano, ele mantém uma rotina puxada: acorda todos os dias às 5 horas para estudar – e só para às 21 horas, quando retorna do cursinho. “Em época de vestibular, não sobra muito tempo para viver”, brinca. Mas ele vive. “A forma que encontrei para manter o equilíbrio foi reservar sábados e domingos para me reunir com amigos.”

Gustavo Queiróz, também de 18 anos, que sonha com a carreira de audiovisual, é outro que vive afundado nas apostilas. No caso dele, o equilíbrio entre lazer e as quatro horas diárias de estudo é produto da decisão de reservar o domingo para uma única atividade: o futebol. “É meu dia de esporte”, diz Gustavo. “Agora, estou aprendendo a controlar a ansiedade que a proximidade dos exames provoca.” Lucas e Gustavo são, portanto, candidatos e escapar dos efeitos severos da setembrite.

A psicóloga e psicopedagoga Ana Cássia Maturano explica por que os meses que antecedem o vestibular são mesmo marcados por stress. “Nessa fase, o estudante percebe que está prestes a empreender uma importante mudança, abandonando o conforto do colégio e escolhendo uma profissão”, diz.

Para conquistar a autoconfiança de que também fala Nascimento, a psicóloga orienta os estudantes a deixar de lado a desconfiança acerca do próprio conhecimento. “Muitas vezes, o estudante perde a noção do quanto aprendeu nos anos em que passou no colégio ou no cursinho: isso pode trazer a sensação de pânico diante das provas”, diz. “É preciso confiar no conhecimento adquirido ao longo de anos, ao invés de tentar engolir apostilas, de forma desesperada, em apenas um mês.”

Ela orienta ainda os vestibulandos a se concentrar nas matérias com as quais têm menor afinidade. “Dedique os últimos meses às disciplinas e assuntos que parecem mais difíceis, ao invés de tentar, inutilmente, abraçar o mundo”, diz. “Reconhecer que é impossível dar conta de tudo também ajuda.” Outro auxílio é elaborar um plano B (e até um C) para o vestibular, caso a tão esperada aprovação na universidade dos sonhos não aconteça. “Não ser aprovado não impede o candidato de tentar o ingresso novamente no ano que vem, ou até mesmo de escolher outro caminho”, diz Ana Cássia.

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