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Apps de celular fomentam a leitura, diz estudo da Unesco

Em países com altos índices de analfabetismo, programas dedicados podem aumentar a prática em mais de 60%

Por Bianca Bibiano 29 abr 2014, 15h39

Segundo relatório da ONU, dos 7 bilhões de habitantes do planeta, apenas 4,5 bilhões têm acesso a banheiros. Mas 6 bilhões já possuem acesso ao telefone celular, o que torna o dispositivo uma ferramenta poderosa. Com a tecnologia móvel tão disseminada e presente em todas as camadas da sociedade, os celulares podem fomentar a leitura em regiões onde o acesso aos livros é mais difícil. A constatação faz parte do relatório Lendo na Era do Celular, divulgado recentemente pela Unesco.

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A partir da pesquisa feita em parceira com a empresa Nokia e a ONG Worldreader, a Unesco mapeou os hábitos de leitura de mais de 4.000 pessoas em sete países da África onde o analfabetismo atinge mais de 40% da população (Etiópia, Gana, Índia, Quênia, Nigéria, Paquistão e Zimbábue). A entidade constatou que as pessoas que mantêm aplicativos de leitura instalados no celular leem 62% mais do que quando tinham disponíveis apenas livros em papel.

Entre os entrevistados, a leitura via celular já é prioritária devido à conveniência: 67% dizem estar sempre com o celular em mãos, o que facilita a leitura, ainda que prefiram ler pelo modo convencional. O fenômeno não se restringe aos países africanos. Na China, 25 milhões de pessoas leem livros apenas pelo celular.

O aparelho móvel também está se transformando em meio de acesso para quem não tem livros. Dos entrevistados, 9% afirmaram que leem pelo celular por não terem outra maneira de acessar histórias. “Nós vivemos em uma área remota onde não há bibliotecas e os poucos livros que tenho em casa já foram lidos. O celular me dá a chance de escolher novos títulos”, afirma Meet Charles, morador do Zimbábue ouvido pela pesquisa.

A leitura pelo celular ainda parece estar mais disseminada entre os homens – dos pesquisados, 77% são do sexo masculino. A Unesco constatou, no entanto, que essa diferença entre os gêneros deve-se mais ao fato de que, nos países pesquisados, os celulares são mais disseminados entre eles. Quando têm acesso aos livros digitais, as mulheres mostram-se mais interessadas: elas gastam 63% mais tempo na atividade do que homens.

Dos dez livros mais lidos, seis pertencem ao gênero romance. O título mais baixado é Can Love Happen Twice?, de Ravinder Singh, sem tradução para o português, seguido de The Price of Royal Duty (A Coroa de Santina: O Preço do Dever), de Penny Jordan. A Bíblia aparece na terceira posição.

A falta de alguns best-sellers para download no celular é um dos problemas apresentados pelos entrevistados. Para mais de 60%, a leitura seria mais frequente se títulos como Harry Potter e a Saga Crepúsculo estivessem disponíveis. Eles aparecem na lista dos 20 tópicos mais buscados nos aplicativos de leitura. No topo, está o termo “sexo”, seguido de “Bíblia”.

Estima-se que existam 774 milhões de analfabetos no planeta. A Unesco recomenda em seu relatório que novos projetos de aplicativos de leitura para celular sejam desenvolvidos para garantir o acesso a mais livros e em larga escala. A instituição aconselha ainda que os pais usem os aparelhos para despertar o interesse pela leitura nas crianças, de modo a reduzir o índice de analfabetismo entre os jovens, que representam 123 milhões dos analfabetos no mundo.

Por que as pessoas leem livros pelo celular?

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