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Apesar de evidências de que vazamento é maior, presidente do Inep mantém punição só a alunos do Colégio Christus

Malvina Tuttman diz que Inep só cancelará mais provas após ouvir a PF

Por Mariana Pontes, de Fortaleza - 31 out 2011, 18h54

Apesar de evidências de que mais estudantes tiveram acesso antecipado a questões do Enem 2011, a presidente do Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Malvina Tuttman, manteve a decisão de cancelar apenas as provas de alunos do Colégio Christus, de Fortaleza, que receberam uma apostila com 14 questões da avaliação federal. “A Polícia Federal irá fazer a investigação e tirar as conclusões. Nesse sentido, o Inep está aguardando”, informou Tuttman, em entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira em Fortaleza.

A falha mais grave do Enem

Instituído em 1998 como ferramenta de medição da qualidade do ensino médio, o Enem foi transfigurado, em 2009, em vestibular. Desde então, coleciona turbulências, como furto de provas e erros de impressão. O problema que sacode a edição 2011, contudo, é mais grave. Dias antes de sua realização, em 22 e 23 de outubro, alunos do Colégio Christus, em Fortaleza, tiveram acesso a 14 questões que constavam da avaliação federal. Pior: suspeita-se que estudantes de outras instituições viram os testes. Isso configura um ataque ao princípio da isonomia do exame, segundo o qual todos os participantes devem estar submetidos às mesmas condições ao realizar a prova. O episódio também revela uma falha no processo de aplicação do Enem, ainda a ser detalhada pela investigação em curso na Polícia Federal.

A educadora adiantou que o Inep irá recorrer de qualquer decisão judicial que vá de encontro com a determinação do Inep de cancelar exclusivamente a prova dos 639 alunos do Christus e obrigá-los a refazer o exame. Ela acrescentou que o colégio terá de arcar com o pagamento da nova inscrição dos estudantes: a taxa é de 45 reais por aluno. A exceção seria uma eventual decisão de anular as 14 questões vazadas somente nas provas dos alunos do Christus: neste caso, a resolução será analisada pelo departamento jurídico do Inep.

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Caso a decisão do Inep seja mantida pela Justiça, os estudantes do Christus deverão repetir o exame nos dias 28 e 29 de novembro. Alguns já reclamaram que a data é a mesma em que serão realizados outros vestibulares.

Tuttman disse que, provavelmente, os estudantes terão de escolher entre um dos exames. “Vamos estudar caso a caso. Não queremos que isto seja uma punição, mas uma outra chance para os alunos”, disse.

Pela manhã, a presidente do Inep se reuniu com o juiz da 1ª Vara Federal, Luís Praxedes Vieira, que analisa a ação ajuizada pelo procurador da República no Ceará, Oscar Costa Filho. O procurador pede o cancelamento das 14 questões vazadas ou a anulação total do exame. O veredicto deve sair nesta terça-feira.

Ao magistrado, o Inep argumentou que o vazamento das questões foi localizado e pediu que a avaliação seja mantida. “Nós estamos confiantes de que os nossos argumentos, sempre pedagógicos, sempre técnicos, prevaleçam”, disse Tuttman.

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